Fiji: o paraíso na Terra

Por Zeca Moreira

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Você já ouviu falar em Fiji? Se não ouviu separe um tempo para descobrir um pouco mais sobre esse pedaço de paraíso na terra. O arquipélago formado por mais de 200 ilhas no meio do Oceano Pacífico, entre a Austrália e o Havaí, possui águas cristalinas, mornas, corais de diversas cores, peixes (incluso aí muitos tubarões) e clima quente o ano todo. Não à toa que seu cenário natural serviu como set de filmagens para o clássico da Sessão da Tarde, A Lagoa Azul, e do filme Náufrago.

E não foram apenas as estrelas de Hollywood que se encantaram por Fiji. As qualidades do País foram essenciais para que esses dois meros mortais (eu e Mônica) escolhessem as ilhas como destino. O que significa que se você se programar, talvez possa visitar o arquipélago nas próximas férias.

Assim que compramos as passagens começamos a pesquisar sobre os melhores locais e atrações da ilhas. Ficamos surpresos com a falta de informações e com a quantidade de dicas furadas que achamos na internet. E não era só na rede mundial de computadores que encontramos conselhos ruins. Nas agências de viagem que procuramos era  a mesma coisa. Pensando nisso, vamos detalhar aqui e em outros textos nossa Fiji Experience para que você não cometa erros (como se hospedar em Nadi achando que aquilo é Fiji) e aproveite ao máximo suas férias no paraíso. Esperamos que aproveitem.

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A viagem – Optamos por ir dia 01 de janeiro logo cedo, na ressaca do Revéillon. Isso fez com que o preço da passagem fosse bem baixo para a temporada de final de ano. Como estávamos com bastante dúvidas relacionadas às ilhas que deveríamos visitar, optamos por comprar um pacote na Awesome Adventures (ÚNICA empresa que faz esse tipo de serviço por lá, acreditem) de 12 dias (11 noites) passando por seis ilhas diferentes, incluindo as mais próximas como Bounty e Beachcomber e as mais afastadas (e com reputação, justa por sinal, de serem as mais belas) como Wayalailai, Korovou, Nabua Lodge e Mantaray. Trata-se do pacote mais longo que eles vendem, portanto você terá tempo de sobra para conhecer os melhores locais de Fiji e fazer as atividades imperdíveis como mergulhar com tubarões, nadar na caverna do filme A Lagoa Azul, conhecer a ilha do Naúfrago, passar o dia a bordo de um enorme veleiro com bebida e comida inclusas, trilhas guiadas pelas montanhas, andar de caiaque entre uma ilha e outra, fazer snorkeling nos corais e diversas outras atividades.

Importante – Os nomes que colocamos das ilhas na verdade são os nomes dos resorts que ficamos. Essa é a melhor forma de você efetivar sua busca nos sites de hospedagem e é como muitas vezes eles as chamam.

Clique nas páginas a seguir para saber o que fazer em cada uma das ilhas que passamos e no link com dicas gerais sobre Fiji.

Bounty (A ilha do Tsunami)

Wayalailai e Korovou (As ilhas dos Tubarões)

Nabua Lodge (ou ilha da Lagoa Azul)

Mantaray e Beachcomber (Para casais ou solteiros)

Fiji: As férias das férias 

Dicas gerais de Fiji

Bounty (A ilha do Tsunami)

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Nossa primeira parada foi a belíssima ilha de Bounty. Apenas 30 minutos da capital, Nadi, o local possui águas cristalinas e apresenta um azul impressionante. O resort é um dos mais confortáveis da região e conta com eletricidade 24 horas (algo que você não encontra nas ilhas mais afastadas). A comida é farta nas três vezes em que é servida (café da manhã, almoço e jantar), revezando-se em buffet e algumas vezes A La carte. Além disso, foi o único hotel onde encontramos ar-condicionado (peça importante quando estamos falando de temperaturas superiores a 30 graus todos os dias). O bar possui três happy hours por dia, quando as bebidas são vendidas com até 50% de desconto. Jogos como ping-pong e “arremesso de corda ao alvo” ajudam a te entreter quando você estiver saturado da piscina ou de fazer snorkeling com peixes.

De tão pequena, basta 30 minutos andando ou 40 remando a bordo de um caiaque para dar a volta nela. Aliás, esse tamanho demasiadamente reduzido me chamou a atenção quando chegamos na ilha:

– Nossa, se rolar um tsunami aqui não sobra nada. Não temos para onde correr.

Disse enquanto admirava a ilhota ainda do barco que realiza o transporte dos passageiros até os hotéis.

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Tsunami – Hiperativo que sou, peguei meu snorkeling assim que desembarcamos e fui ver de perto o que tinha naquela água. Enquanto mergulhava ladeado por peixes de todas as cores a Mônica aproveitava a piscina. Estava tão animado que após 30 minutos sai do mar para contar minha experiência para ela. Estávamos no bar, a menos de 5 metros do oceano, quando resolvi abrir meu Whatsapp para mandar algumas fotos para minha família e amigos quando me deparei com uma notícia seguida da seguinte mensagem.

– Bom dia povo! Alguém tem conseguido falar com o Zeca? Acho que ele já deve estar sabendo dessa parada… – Perguntou um amigo num grupo que faço parte na Austrália.

– Dá um salve ai. Pediu outro.

Anexada às mensagem vinha uma notícia sobre um terremoto de 7.2 na escala Richter no meio do mar a míseros 300 kilômetros de onde estávamos. Minha espinha congelou na mesma hora. O abalo sísmico havia ocorrido há menos de 30 minutos. Um ano antes, quando fomos para Indonésia, me informei bastante sobre tsunamis pois o País foi um dos mais afetados pelas ondas gigantes que atingiram vários locais em 2004. Naquela ocasião, a Tailândia, por exemplo, estava a mais de mil quilômetros do epicentro do terremoto de 9.2 da escala Richter e foi completamente devastada.

Com essas informações eu tinha plena consciência que o alerta de tsunami emitido pelo Centro do Pacífico de controle a ondas gigantes era real. Real demais. Sabia que aquela ilhota não suportaria uma onda gigante que podia chegar a qualquer momento.  O ponto mais alto da ilha não era superior a 5 metros acima do nível do mar. Chamei um funcionário e perguntei se ele estava sabendo de algo. Mostrei a notícia. Ele já sabia e nada havia comunicado.

Passados alguns minutos os demais hóspedes da ilha foram informados e fomos encaminhados ao ponto mais “alto”. Uma casa de palafitas, construída com madeirites e alguma alvenaria. Nesse momento percebi o semblante sisudo e preocupado do restante dos moradores da ilha. O mar mudou completamente. De calmo e cristalino passou a turvo e agitado. O último alerta de tsunami havia sido em 2011, quando ondas gigantes varreram várias cidades japonesas. Enquanto esperávamos novas notícias escolhi uma árvore de tronco forte e de fácil escalada para correr com a Mônica se algo pior acontecesse. Depois de uma hora e trinta minutos de muita tensão naquele “abrigo”, enfim, recebemos a notícia que o risco já havia passado. Quem havia chorado de nervosismo enxugou as lágrimas e voltou para a piscina. Quem fez vídeo de despedida (vimos isso) ficou um uma cômica memória salva no celular.

Terminamos nosso primeiro dia de trip dançando com os Fijianos e bebendo. Mais tarde, já anestesiados pelo álcool, fizemos amizade com uma italiana que sobreviveu ao tsunami de 2004, quando ela teve de ser resgatada por um helicóptero do telhado de um hotel nas ilhas Maldivas. Voltamos para o quarto chocados com o pé frio da moça e torcendo para que ela não nos acompanhasse pelo restante da viagem. Para nossa sorte, ela não foi.

Náufrago – Quando fechamos nosso pacote optamos por pagar pagar AU$ 500 a mais cada um para termos acesso a atividades nas ilhas, o que incluía um passeio num veleiro no nosso segundo dia de viagem pelas ilhas. A rota, que oferecia bebida liberada e churrasco a bordo, tinha como destino a ilha onde foi filmado o famoso filme do Tom Hanks, O Náufrago, e uma outra ilha onde visitamos um vilarejo fijiano e pudemos comprar artesanatos dos locais. Um dos passeios mais divertidos e cansativos que fizemos sem sombra de dúvidas.

Voltamos para Bounty e dormimos como pedra, afinal, dia seguinte tinha nosso segundo destino: Wayalailai.

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Nota – 9,5. Bounty tem TUDO. Hotel justo, excelente quarto, ar-condicionado, comida farta, atividades para você não ficar parado, peixes, corais, enfim, tudo que você precisa numa viagem. Porém a proximidade da ilha principal, Nadi, a torna rota das famosas Day Trips (passeios de um dia que levam turistas para os arquipélagos mais próximos). Isso incomoda um pouco, pois tira um pouco da paz local. Mas nada que estrague a sua viagem, até mesmo porque esses visitantes costumam retornar antes das 16h.

Wayalailai e Korovou: As ilhas dos tubarões

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Wayalailai – Primeira das ilhas Yasawas a visitarmos, mostrou para gente duas coisas. A primeira era que dali para frente o cenário seria outro. Com ilhas maiores, montanhosas (agora teríamos para onde fugir em caso de Tsunami), corais, peixes, tubarões e claro, águas transparentes com variados tons de azul. Minha sensação era de estar chegando na ilha de Lost (saudoso seriado de meados dos anos 2000). A segunda constatação era de que a palavra “resort” nos hotéis era meramente perfumaria. Na verdade tratava-se de uma pousada construída pelos moradores do vilarejo (quase todos as outras foram do mesmo estilo). Somado a isso, o fato de estar geograficamente mais distante da capital torna a eletricidade bastante cara. Logo, a maior parte das ilhas operam à base de gerador, que são ligados entre duas e três vezes por dia. Isso significava nada de ventilador à noite (os quartos não tinham ar-condicionado).

A comida também deixou de ser farta. Você tem que comer o que te servem, porque não existe loja de conveniência na esquina. Apesar do baque inicial e do choro da Mônica no meio da primeira noite em Wayalailai (por não conseguir dormir sob 40 graus) tiramos de letra por estarmos no meio do oceano pacífico num dos locais mais belos que já visitamos.

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Foi nessa ilha também que tivemos duas experiências incríveis. A primeira foi mergulhar com tubarões em um recife no meio do mar, afastado cerca de 20 minutos da ilha, e a segunda, uma trilha ao topo da montanha, que nos tirou o fôlego tanto pelo visual quanto pelo ritmo imposto pelo guia. Mas comecemos pelo melhor. O mergulho com tubarões.

Destemido que sou, mal podia esperar pelo passeio que nos aguardava logo cedo pela manhã. Às 08 am já estávamos no bote. Munidos de máscaras de mergulho, pés de pato e GoPro. Nada mais. Sem gaiolas de proteção. Elas não são necessárias pois os tubarões de recife, como são conhecidos, são calmos (na maior parte das vezes). Ao chegarmos no ponto de mergulho o guia vira para nós e fala:

– É aqui. Podem saltar. Os tubarões estão ai embaixo.

Destemido que sou (2). Quase melei o short nessa hora. Olhei para Mônica e disse:

– Tá maluco que vou pular nessa água?!?

Ela concordou e disse que não ia entrar. Foi então que o guia tomou a vez e mergulhou no mar. Sendo logo acompanhado por alguns outros hóspedes do hotel. Criei coragem e pulei. A Mônica ficou. Disse que não ia. Passados alguns segundos avistei o primeiro tubarão galha branca. Estava vindo com alguns outros me bisbilhotar. Fiquei receoso, o resto do bando estava mais adiante. Encolhi os braços e nem consegui filmar. Fiquei branco. Eles, os tubarões, nadaram ao meu redor e saíram para checar os outros intrusos. O medo passou. Olho para trás para contar para a Mônica e me surpreendo com ela pulando na água. Daí para frente foram quase duas horas de mergulho com tubarões dos mais diversos tamanhos, alguns com até dois metros. Um passeio que ficará na memória e você não pode voltar de Fiji sem fazer.

Chegamos na ilha a tempo do almoço. Dois pedaços de pizza, uma bola de arroz e macarrão. Zero de proteína. Reclamamos entre nós, mas comemos, pois às 5pm tínhamos uma trilha até o topo da montanha mais alta da ilha. Um passeio desses de barriga vazia é inviável. Aliás, condicionamento físico minimamente razoável e calçados adequados também são fundamentais nessa trilha.  A caminhada é bastante puxada e na primeira metade o guia acelera bastante o ritmo, justamente na parte mais vertical. O ritmo foi tão forte que uma das meninas que nos acompanhava passou mal e tivemos que parar para ela se recuperar. Contudo, o passeio é incrível e lá do topo você consegue ver todas as ilhas ao redor de Wayalailai e uma beleza inacreditável.

À noite participamos de uma festinha no bar da vila com outros turistas. Diversão garantida. Fizemos os primeiros amigos que nos acompanharam no restante da viagem e nos aproximamos do casal de brasileiros, Diogo e Dayane, que havíamos conhecido em Bounty e que também iriam participar das nossas aventuras.

Nota – 8. Wayalailai tem como pontos positivos as belezas naturais e suas atividades. Peca pela fraquíssima comida, pelo fato de passarmos quase o dia todo sem energia e pelo calor nos quartos (mesmo sendo um dos quartos com a mais bela vista).

Yasawas x Mamanucas As ilhas de Fiji se dividem em duas. As Mamanucas, mais próximas à ilha principal (Nadi), e as Yasawas, mais afastadas e que carregam a justa reputação de serem as mais belas.

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Korovou – Nossa terceira ilha era a primeira sem nenhuma atividade inclusa. Isso me deixou bastante entediado. Mesmo estando numa ilha belíssima, não me restava muita coisa a fazer, a não ser entrar no mar para ver se os peixes e corais ali eram tão bonitos quanto nas primeiras paradas. Outros hóspedes optaram por fazer trilhas sozinhos na mata. Dois amigões alemães, Wilson e Frank, escalaram uma torre de telefonia com um nativo (“passeio” que fiquei com muita inveja de não ter feito). Mônica escolheu ficar na piscina curtindo o sol escaldante e bebendo água de coco, o que não é muito comum pelas ilhas.

Eu optei por nadar, sozinho, até uma pedra do lado oposto à praia onde estávamos. Nesse momento uma luz divina me lembrou uma velha dica dos mares, que aprendi com meu pai e minha mãe. Se você não conhece o mar e não tem ninguém nadando nele, cuidado redobrado. Eu era o único ali. A praia estava literalmente deserta. Optei por andar ate o final da areia e de lá nadar até a pedra (que ficava na entrada da ilha) bandeando a montanha. Assim, em caso de necessidade era só nadar até as rochas.

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Comecei a nadar e apesar das águas azuis faltavam peixes como nas outras ilhas. Além disso, a água estava meio turva o que dificultava visão superior a 10 metros de distância. Isso me deixou preocupado, mas segui adiante. A única coisa bacana naquela minha missão era chegar até a danada da pedra. Estava bem próximo já. Inclusive já dava pé, mas pela quantidade de pedras no fundo optei por nadar ao invés de andar. Notei que a água esquentou muito. Ao ponto de ficar desconfortável.

Nesse exato momento um tubarão de seus quase dois metros passa que nem uma bala na minha cara. Vindo do lado esquerdo para o direito. Mais um pouco e ele me acertava. Fiz que nem aquele calango que anda sobre as águas. Levantei (lembram-se que estava dando pé?) e corri, com o mar na altura do peito, até uma pedra que estava a alguns metros de mim. Escalei rapidamente. A perna tremia. Liguei a Gopro na mesma hora (estava desligada pelo excesso de monotonia no meu passeio). Olhei para os lados e vi outro três ou quatro tubarões. Começaram a nadar ao redor da rocha. Não estava acreditando. Podia ver as barbatanas. Meti  a mão na água para filmar. Estava receoso pois não sabia se podia chegar outro por trás. A Gopro 3 só tem como lente o tal “olho de peixe”, que é péssima para filmar a mais de um metro e meio de distância.

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Percebe-se que minha coragem a essa hora não era das maiores. Por isso apenas alguns segundos de imagens. Mesmo tendo mergulhado um dia antes com tubarões maiores no meio do oceano aquela situação era completamente diferente. Primeiramente não tratava-se de um mergulho com “guias”, e segundamente eu estava sozinho e ao contrário dos tubarões nos recifes aqueles ali estavam interessados na minha pessoa. Por isso ficavam nadando ao redor da pedra. A curiosidade durou cerca de 10 minutos e então os perdi de vista. Obviamente que nadar estava fora de cogitação, porém tinha que entrar na água novamente para chegar até a montanha que me levaria de volta à praia. Travessia que fiz em menos de 30 segundos.

Posteriormente fui pesquisar que espécie de tubarões eram aqueles. Tratavam-se dos galhas pretas. Da mesma família daquele que mergulhamos em Wayalailai. Porém estavam mais curiosos. Não costumam ser agressivos, existe poucos relatos de acidentes nas ilhas envolvendo esse tipo. Mas naquela hora não sabia de nada disso e mesmo se soubesse, não pagaria para ver. Inclusive, no penúltimo dia em Fiji tive outro contato similar. Dessa vez estava realmente procurando um tubarão. Há dias entrava no mar atrás de um. Porém a coragem durou pouco e assim que avistei o animal, a alguns metros de mim, resolvi recuar para terra firme. Bastava de tubarões.

De volta à ilha contei aos amigos o ocorrido. Jogamos vôlei com nativos e outras pessoas. Desisti depois de 40 minutos. Engraçado como os fijianos não são chegados numa competição. Sequer contam os pontos da partida. Por isso achei melhor tomar uma cerveja e observar. À noite, no jantar, tivemos até sobremesa. A mesa era longa, onde cabiam todos os hóspedes do hotel. Sentamos juntos, conversamos, bebemos, conhecemos novas pessoas e ao final assistimos uma apresentação pirotécnica.

No dia seguinte, com a notícia do do meu encontro com tubarões a maioria preferiu ficar na piscina até a hora do jantar. Fizemos um passeio para fazer snorkeling, mas foi um pouco frustrante, pois quase não vimos peixinhos. Pelo menos conhecemos uma pequena ilha onde conseguimos tirar umas fotos.

Nota – 7 A falta de atividades e a estrutura precária para atender os hóspedes tornam a ilha uma das menos interessantes. O hotel não fornece toalha nem produtos de higiene. Somado a isso ficamos um dia inteiro sem energia por um problema no gerador local.

Nabua Lodge (ou ilha da Lagoa Azul)

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Enfim chegamos numa das ilhas mais esperadas da nossa viagem. O arquipélago é tão bonito que foi escolhido pelos diretores do filme A Lagoa Azul como locação para a famosa película. Logo na chegada entendemos o motivo da decisão. Águas transparentes, de cair o queixo. Você consegue ver tudo abaixo do bote que te busca no barco principal até a ilha. Mal podíamos acreditar.

Após nos acomodarmos no quarto, resolvemos andar de caiaque com nosso amigo Frank. Remamos muito, entramos num mangue com correnteza forte, conhecemos praias próximas e retornamos à ilha quase duas horas após nossa saída. Sentamos sob um coqueiro com um casal de chilenos que havíamos acabado de conhecer. Nossos amigos alemães se juntaram e tivemos um final de tarde tomando cerveja e apreciando aquele cenário, literalmente, de filme.

No dia seguinte acordamos cedo. Era o dia de conhecer a famosa caverna da Lagoa Azul. Para chegar lá viajamos cerca de 30 minutos num bote. O passeio no barco por si só já valeria a pena, mas melhora ao chegar na pequena praia onde fica a caverna. Entramos no local escuro e de água gelada. O teto alto e rochoso compunham o cenário. Eis que fomos informados que para seguir dali em diante, já dentro da água, teríamos que mergulhar e passar por um buraco sob a água de dois metros de comprimento. Escuridão total. A única coisa que você vê no outro lado é a luz na lanterna do guia que te espera lá.

Mônica foi primeiro e fui em seguida. Ao tirar a cabeça da água você não vê nada. Breu absoluto. Uma norueguesa começa a cantar para se acalmar enquanto nadamos todos até o final da caverna, onde um ponto de luz entra por um buraco no topo do teto. O guia então explica a importância do local antes de voltarmos para a primeira parte da caverna. Mais uma vez, todos têm de mergulhar e passar pela passagem que leva ao outro lado. Ficamos nadando enquanto esperávamos o segundo grupo. Aproveitamos para pular das pedras e escalar rochas. Para nossa surpresa, umas das meninas que nos acompanha, uma inglesa muito simpática que ficou noiva durante a viagem, nos informa que ela não sabia nadar. Por isso estava usando colete o tempo todo. Colete que ela tirou para poder afundar e chegar do outro lado. Ficamos surpresos com a coragem da menina.

Voltamos ainda a tempo do almoço, pois uma hora depois tínhamos como missão fazer snorkeling na praia principal das locações do filme Lagoa Azul. Repleto de corais e vida marítima, foi um dos melhores locais que mergulhamos (o melhor ainda estava por vir). Passamos cerca de uma hora nadando e depois fomos para a areia encontrar o casal de amigos suecos que estava hospedado em outro hotel da ilha (Safe Landing). Eles aproveitaram para perguntar sobre a comida no nosso hotel, porque no deles a situação não era boa.

À noite, tivemos nossa primeira festa de despedida. Era hora de dizer tchau aos amigos alemães que conhecemos ainda em Nadi, quando trombamos com um deles com a famosa bola Wilson embaixo do braço. Se juntaram à mesa o casal de chilenos que trouxe Pisco Sour (bebida alcóolica típica chilena) e outros amigos. Foi uma farra animada, encerrada apenas por volta das quatro horas da madrugada.

No dia seguinte, apesar da ressaca, aproveitamos a viagem nos deixaria na próxima ilha, Mantaray, a bordo do Lounge do Capitão (ver mais aqui), onde bebemos mais, trocamos fotos e histórias da viagem com aqueles que estavam de partida

Nota – 9.3 – As atrações mais esperadas da viagem não deixam a desejar. A beleza natural da ilha mais afastada também não. Os pontos fracos do nosso hotel foram justamente não ter vista para o mar, o ventilador funcionar pouquíssimas horas e a imensa dificuldade de acessar a internet quando necessário.

IMPORTANTE – O nome da ilha onde foi filmado o filme Lagoa Azul é Nacula. Lá você tem como opcões de hospedagem o luxuoso Oarsmans Bay Lodge, no hotel Blue Lagoon, no Nabua Lodge ou em Safe Landing. Ficamos em Nabua Lodge e pela primeira vez não ficamos em um quarto com vista para o mar. Mesmo assim o quarto era bem arrumado e a comida era justa (tivemos até “churrasco” sem carne vermelha).

Mantaray e Beachcomber: para casais ou solteiros

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Mantaray – Pela primeira vez na viagem ficamos em um resort que fazia jus ao título que carregava no nome. Não me entendam mal, os outros hotéis pelos quais passamos eram bons, mas passavam longe de serem hotéis cinco estrelas. Na verdade estavam, muitas vezes, mais para pousadas do que para empreendimentos turísticos de ponta. Mas estamos aqui para falar de Mantaray, então vamos adiante.

Também pela primeira vez, tivemos que pagar pela alimentação. Cerca de AU$50 dólares australianos por dia na ilha, o que dá direito a café da manhã, almoço e jantar (isso nós já sabíamos desde a época que compramos o pacote). Todas as refeições devidamente bem servidas e bem saborosas. Sem falar no visual espetacular da sacada do restaurante. Contudo, o que mais interessa nessa ilha não é a comida. Sem dúvida é um dos locais mais bonitos pelo qual passamos na viagem. A ilha montanhosa abriga bangalôs no meio da “floresta”. Ficamos em uma desses. Sem vista para o mar (de novo), mas a poucos metros de distância.

O snorkeling no local é de longe o melhor que fizemos em Fiji. Outro nível. Completamente diferente dos mergulhos que fizemos em outras ilhas. O arquipélago conta com uma vida marinha abundante devido aos corais naturais na região. Um espetáculo de cores. Passamos horas a fio mergulhando sem prestar atenção no relógio. Quase perdemos a hora de sair para um passeio que nos levaria ao outro lado das montanhas para assistir ao pôr do sol.

Aliás, depois da janta participamos de uma apresentação cultural das mais completas que vimos por lá. Como fomos em janeiro, não tivemos a oportunidade de mergulhar com as famosas arraias gigantes (Mantaray) que dão nome ao resort.  Elas passam pela região entre maio e outubro.

Nota – 9.5 – A ilha e o hotel são excelentes. Contudo, perdeu 0.5 pontos, pois apenas os bangalôs à frente do mar possuem banheiro. O resto é compartilhado. Não que seja sujo ou coisa do tipo, mas não é a coisa mais confortável do mundo. Acordei no meio da noite nauseado por conta do passeio de barco que fizemos e como a chuva era muito forte, tive que ficar dentro do quarto, pois era impossível ir ao banheiro. De resto, um dos melhores locais por qual passamos em Fiji.

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Beachcomber – Nossa última ilha (dentro do pacote de 12 dias que compramos) é uma das mais famosas de Fiji. Infelizmente não pela beleza, mas por ser conhecida como a “party island”. Bem, talvez seja o melhor local para badalar em dezembro ou na alta temporada, mas definitivamente não em meados de janeiro. Passamos apenas uma noite lá e aproveitamos para fazer a nossa festa de despedida com nossos amigos suecos (que nos acompanharam por quase toda viagem) e o casal de chilenos animadíssimos.

Bebemos a noite toda e rimos das nossas histórias. Por volta das três da madrugada, Mônica resolveu voltar para o quarto. Resolvi tomar a saideira com os chilenos. Cerca de 10 minutos depois meu telefone tocou. Algo extremamente incomum na viagem. Achei estranho e quando atendi era a Mônica, muito assustada do outro lado. Enquanto ela se trocava, viu pelo reflexo do espelho um dos funcionários da ilha espiando-a pela janela. Voltei para o quarto voando. Quando cheguei lá, não encontrei o tarado. Apenas a Mônica, ainda em choque. Chamamos o staff do hotel que ao invés de tomar uma atitude nos disse que na ilha tinha um fantasma (acreditem). Dormimos preocupados e ao acordarmos nos deparamos com a ilha lotada de asiáticos e indianos que visitam as ilhas mais próximas nas chamadas day trips.

Contamos os minutos para pegar o barco de saída. Definitivamente não gostamos de Beachcomber. No final, nos despedímos dos chilenos. Nosso “último” adeus. Mônica chorou. Mas estávamos felizes. Terminamos nossos 12 dias com diversas histórias, amigos e a certeza que tivemos a oportunidade de conhecer um dos locais mais bonitos do mundo, que pela distância, poucos brasileiros têm a chance de conhecer. Sem dúvida, somos privilegiados.

Nota – 7 – O hotel de Beachcomber é bastante maneiro. As acomodações coletivas, ideal para os backbackers, também. Contudo, o staff despreparado e as day trips entupidas de asiáticos e indianos tornam a ilha um pouco (bastante) desagradável por conta da multidão de pessoas nas filas para almoçar e fazer atividades. As águas são limpas e azuis, mas sem muita vida marinha. Se você está procurando festa, pode ser o lugar para você. Mas vá em alta temporada. Em baixa temporada NÃO tem público suficiente para festa. Se está atrás de locais bonitos (e também com festa todas as noites), fuja de Beachcomber.

Fiji: As férias das férias

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Ao final da nossa Fiji Experience, na qual passamos 12 dias viajando por seis ilhas do arquipélago, resolvemos descansar naquela que mais nos agradou e que seria mais prática para retornarmos a Nadi antes de embarcarmos de volta à Sydney (AUS). Saímos de Beachcomber chateados e frustrados com a ilha, mas estávamos alegres, pois estávamos a caminho daquela que mais gostamos: Bounty.

Quando descemos no barco que nos levaria até à ilha o funcionário local nos reconheceu e assustado disse:

– Braseeeeeellllllll…..are you back? – Disse espantado.

– Sim, estamos voltando….

A reação foi a mesma quando desembarcamos na ilha. Todo staff nos reconheceu (foi nossa primeira parada, aquela do tsunami. Havíamos pisado por lá 12 dias antes) e estranhou o retorno. Pelo visto não é comum. Explicamos nossa ideia de descansar das nossas férias na ilha que mais gostamos. Ficaram tão felizes que nos deram um upgrade no quarto. O fato de ser baixa temporada também colaborou para isso, obviamente. De diferente, o novo quarto só tinha o acabamento, mais luxuoso. Mas o mais importante de tudo era igual: a vista para o mar.

Nesses quatro últimos dias por lá aproveitamos para fazer o que não fizemos na nossa primeira “temporada”. Remamos de caiaque e caminhamos ao redor da ilha, fizemos stand up paddle e participamos do projeto de preservação de tartarugas marinhas que as devolve para o mar em tamanho maior, o que aumenta a possibilidade de sobrevivência. Também tivemos a oportunidade única de presenciar uma minúscula tartaruguinha desesperada, sozinha, correndo para o mar. Tinha acabado de sair do ovo. A salvamos junto com outras três que estavam perdidas perto do nosso quarto e o staff as “inscreveu” no projeto. Além disso, vimos cobra, descansamos (afinal, a cada dois dias nós tínhamos que empacotar nossa bagagem em cada nova ilha), fizemos artesanato com folhas de coqueiro e nos sentimos literalmente em casa.

Mergulhamos mais, vi meu último tubarão. Me borrei de medo novamente. Jogamos ping pong e um jogo de arremesso de corda uma centena de vezes cada. Tiramos fotos, vimos o lindo pôr-do-sol de lá, tomamos drinks coloridos, participamos de jogos com os nativos e fomos embora arrasados (e a Mônica chorando aos prantos literalmente) por estarmos deixando para trás um povo e um local maravilhoso com apenas uma certeza: a de que nos veremos de novo.

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Bula e Vinaka, Bounty Island!

Dica de Destino: Norte da Nova Zelândia

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Por Zeca Moreira

Quem nunca assistiu àquele filme no qual um grupo de amigos cruza o país dirigindo uma campervan e pensou: “Uau, um dia ainda farei isso”. Pois bem, se você nunca pensou, comece a pensar na ideia, porque eu e Mônica passamos quatro dias a bordo de uma super campervan na Nova Zelândia e podemos dizer que é uma experiência única. Foram mais de mil quilômetros de estrada na qual passamos por várias cidades e cenários paradisíacos.

Nossa jornada começou pela maior cidade neozelandesa, Auckland. Chegamos no final da tarde e por conta de um atraso pegamos estrada apenas ao cair da noite. Aqui vai nossa primeira dica: caso siga nossa sugestão de roteiro, evite dirigir a noite por lá. As pistas são bastante sinuosas e muitas vezes ladeadas por desfiladeiros. Além disso, você estará pilotando uma campervan de 3.5 toneladas e 2.5 metros de altura. Não vá achando que é a mesma coisa que dirigir um Fiat Palio ou mesmo um carro maior como uma Tucson. Logo, todo cuidado é pouco.

Pois bem, seguimos rumo à pequena (mesmo) cidade de Whitianga, a 165 km de distância do nosso ponto de partida. O trajeto levou cerca de 2,5 horas e nos chamou a atenção a “inexistência” de vida por onde passávamos. Todas as cidades que cruzamos estavam às moscas, sequer postos de gasolina funcionavam. Com apenas 4,4 milhões de habitantes, sendo que metade desses vivem nas quatro maiores cidades (Auckland, Christchurch, Wellington e Hamilton), o País é praticamente inabitado. Talvez por isso ainda preserve sua imensa beleza natural. Nossa primeira parada não foi diferente do que vimos durante nosso primeiro trajeto. Apenas um pub irlandês estava aberto. Foi nossa salvação, pois precisávamos urgentemente de uma tomada para carregar o computador. Enquanto a Mônica trabalhava eu tomava uma cerveja e planejava nosso segundo dia.

Encostamos o carro à beira-mar e quando nos preparávamos para dormir ao som das ondas batendo nas pedras (que lindo) percebemos uma placa a metros da gente com dizeres explícitos sobre a proibição de pernoitar por ali. Na verdade a cidade conta com três vagas para esse tipo de campervan, mas todas estavam ocupadas. Por mais que não tivéssemos avistado uma viatura ou delegacia que fosse, resolvemos estacionar na rua de trás (se fossemos mais duas ruas adiante a cidade acabava) para evitar uma multa.

DICA 2 – Mesmo que você ouça por aí que é permitido estacionar e pernoitar em qualquer lugar na Nova Zelândia, cruzamos com várias placas alertando sobre a ilegalidade do ato (passível de multa). Além disso, existe o fator segurança. Muitos mochileiros tem suas campervans assaltadas enquanto estão estacionadas em locais irregulares (os bandidos locais sabem que backpackers viajam com vários pertences e equipamentos eletrônicos). Por isso procure um camping para encostar sua caranga.

Acordamos às oito da manhã sentindo um pouco de calor dentro da van. Por mais que estivesse cerca de 20 graus, a falta de uma sombra pesou e antes das 09am estávamos dirigindo rumo a Hot Water Beach. A praia fica a cerca de 20 minutos da cidade que pernoitamos e sugerimos que você acampe por lá ao invés de Whitianga. Além de ter um camping adequado o local é muito mais bonito.

DICA 3 – Existe uma praia ou cidade, não sabemos ao certo, com o nome de Hot Water Beach próxima a Auckland. Toda vez que escrever esse nome no Google Maps ele te dará como referência esse local e não o que citamos aqui na matéria. Logo, cheque a imagem abaixo para ter certeza que está indo ao local correto.

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O nome da praia é referência à atividade vulcânica da região que faz com que a água que corre sob as areias fique quente a ponto de queimar os pés. Turistas chegam com pás e cavam buracos de onde brota água quase fervendo e que criam spas naturais. Hot Water Beach conta também com um charmoso café onde você pode almoçar ou simplesmente fazer um lanche rápido (ficamos com a segunda opção).

De lá seguimos viagem para Whakatane, cidade a cerca de três horas de carro, mas que fizemos em quase cinco por conta do nosso primeiro contato com as belas paisagens que te acompanham enquanto você viaja pela Nova Zelândia (como dirigimos à noite no primeiro dia não vimos nada).

Foi também nosso primeiro banho da viagem (mochileiros têm que aprender a lidar com a falta deles), pois enfim pudemos pernoitar em um camping (Whakatane Holiday Park) com tudo que tinha direito (inclusive energia elétrica para a campervan). Pagamos AU$ 20 por cabeça e pegamos dicas importantes com o dono do local, que nos sugeriu visitar a cidade de Roturua no dia seguinte.

– Não me importo muito com o dinheiro. Mas nossa cidade Whakatane não tem muita coisa para fazer. Se querem mais movimento vocês devem ir até Rotorua – disse ele sem se importar com a diária extra que iria perder.

Em tempo, Whakatane fica perto de um vulcão ativo na ilha White Island. Infelizmente cortamos o passeio da nossa lista ao sermos informados que o passeio custaria quase AU$ 200 cada.

No dia seguinte, tomamos nosso café da manha/almoço num restaurante/fazenda chamado Julians Berry Farm & Cafe à beira da estrada. A dica foi de uma amiga da Mônica, que descobriu que estávamos por lá por conta do Instagram (@monicaplaza). Comemos com ela e com um amigo dela, nativo da região. Pegamos novas dicas, comemos mais, colhemos morangos (isso mesmo, você paga entre AU$ 8 e AU$ 20 e colhe os próprios morangos, amoras e outras frutas da temporada) e seguimos para penúltima etapa da nossa viagem, a “movimentada”cidade de Rotorua.

Chegamos com o dia ainda claro. Nos “hospedamos” no estacionamento do hostel Base Backpackers. Como eles não possuíam área adequada para campervan foi cobrado apenas AU$ 10 por cabeça, que nos dava acesso ao banheiro e a um estacionamento seguro. Nada mais.

A cidade conta com diversas atividades como caminhada sobre as árvores, passeio em vulcões, mini-golfe e um grande parque com variadas atrações. Como era muita coisa para pouco tempo (e dinheiro) optamos por descer um morro dentro de uma bola cheia de água no chamado OGO, fazer uma caminhada por um parque (gratuito) com gêiseres e atividades geo-térmicas – Kuiarau Park – e ir ao Skyline, onde brincamos de carrinho de rolimã.

Começamos pela descida de morro dentro de uma bola cheia de água (melhor tradução que encontramos para atividade). Não foi barato (AU$ 50 cada) nem demorou uma hora. Na verdade a atividade em si durou uns dois minutos, mas valeu a pena. Eu e a Monica entramos em uma bolha plástica oca, com 140 litros de água dentro. Depois disso um funcionário do local abre a cancela e libera a bola morro abaixo em um circuito recheado de curvas. Fomos girando e batendo cabeça até a base da montanha. Depois relaxamos em um spa com um visual de cair o queixo. Se a descrição da atividade não foi tão interessante quanto realmente foi, dê uma olhada no vlog em nosso canal do YouTube.

Trocamos de roupa na Campervan, pois terminamos o passeio encharcados, e tomamos rumo ao parque público para ver os gêiseres e atividades geo-térmicas. Ali tivemos uma péssima experiência. Depois de quase três anos morando em Sydney, umas das cidades mais seguras do mundo, perdemos um pouco dos cuidados que devemos tomar quando visitamos qualquer lugar que não conhecemos.

Enquanto tirava umas fotos da Mônica nos descuidamos das nossas coisas. Deixamos um Iphone, um power bank e uma das lentes da câmera fotográfica a alguns metros da gente. Num piscar de olhos não estavam mais lá. Percebi de relance três Maoris (como são chamados os índios neozelandeses) saindo rapidamente por uma viela do parque. Sem pensar, institivamente, corri atrás deles e pedi nossas coisas de volta. Um deles veio para cima de mim dizendo que não era ladrão enquanto os outros dois saiam de fininho. Apesar de não ter sido o melhor aluno de matemática no segundo grau sempre soube que quando estamos em desvantagem numérica numa situação de risco como essa a melhor coisa a ser feita é recuar. Enquanto o maior deles nos ameaçava íamos recuando e questionando sobre nossas coisas. Os comparsas dele sumiram da nossa vista. Tudo foi rápido. Não mais que um minuto. Já dávamos nossas coisas como perdidas, quando um dos caras voltou, pediu desculpas e nos entregou tudo. O grandão que ainda nos ameaçava ficou surpreso com o ato do chefe da gangue. Confesso que também ficamos. Depois do ocorrido e com tudo de volta, ficamos sabendo que os Maoris são conhecidos por assaltar turistas em toda Nova Zelândia (principalmente arrombar campervans de turistas – por isso dissemos lá em cima para sempre procurar campings para pernoite).

No segundo dia em Rotorua fizemos um dos melhores passeios da viagem. Visitamos o Skyline Park. Com preços que variam AU$ 39 e AU$ 150 o parque conta com diversos tipos de pacotes e atrações. Optamos por fazer um dos mais famosos: A corrida de Luge. Na prática trata-se de um carrinho de rolimã estilizado, com manche para comando de direção e freio. Tão fácil de guiar que até crianças pequenas podem praticar. Nos sentimos dentro do Mario Kart. A única diferença é que não podíamos atirar os outros carrinhos para fora da pista. Você pode optar por descer com emoção (muito rápido) ou sem emoção (curtindo o visual). Obviamente eu fiquei com a primeira opção enquanto a Mônica optou pelo segunda. Ao chegar no pé do morro você tem que pegar um teleférico até o topo para começar tudo de novo. Durante a subida você aproveita para admirar o belíssimo cenário.

Nosso último destino foi Auckland, cidade de onde partimos. Separamos muito pouco tempo, ou quase nada, para conhecermos a maior cidade da Nova Zelândia. Decidimos assim porque antes de traçarmos a rota da viagem conversamos com várias pessoas, muitas delas oriundas de lá, e todas foram unânimes: Auckland é uma miniatura de Sydney sem nada para fazer. Chegamos no final da tarde e a cidade não nos atraiu em NADA. Vamos dar um desconto, pois era um domingo. Demos uma volta, comemos uma porcaria e já desistimos de fazer qualquer coisa que fosse. Começamos a procurar um local para dormir perto de onde deveríamos devolver o carro no dia seguinte. Optamos por um posto de gasolina bem próximo do ponto de entrega.

DICA 4 – Me chamou a atenção enquanto procurávamos lugar para pernoitar em postos de gasolina de Auckland como todos contavam com seguranças. Em Sydney isso não existe. Fiquei desconfiado e pedi autorização a um deles antes de encostar. Ele permitiu, mas pediu que saíssemos antes de amanhecer. Procure fazer o mesmo para evitar acordar no meio da noite com alguém batendo no seu vidro.

Sem sombra de dúvidas a viagem de Campervam por um País bonito como a Nova Zelândia foi uma ótima escolha. Pudemos desfrutar cenários paradisíacos, tirar fotos, conhecer novas pessoas, passar por diferentes experiências e ser donos do nosso tempo. Sem check-in ou check-out. Ficou a certeza que voltaremos em 2017, dessa vez para conhecer a famosa região de Queenstown (que por incrível que pareça dizem ser a mais bonita de todas). Faremos durante o inverno para ver como fica esse cenário coberto de neve. E obviamente, iremos escrever tudo aqui.

Aliás, já viu o vlog desta viagem no nosso canal do YouTube? No vídeo você pode ver todas as nossas aventuras por esses quatro dias.