Wayalailai e Korovou: As ilhas dos tubarões

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Wayalailai – Primeira das ilhas Yasawas a visitarmos, mostrou para gente duas coisas. A primeira era que dali para frente o cenário seria outro. Com ilhas maiores, montanhosas (agora teríamos para onde fugir em caso de Tsunami), corais, peixes, tubarões e claro, águas transparentes com variados tons de azul. Minha sensação era de estar chegando na ilha de Lost (saudoso seriado de meados dos anos 2000). A segunda constatação era de que a palavra “resort” nos hotéis era meramente perfumaria. Na verdade tratava-se de uma pousada construída pelos moradores do vilarejo (quase todos as outras foram do mesmo estilo). Somado a isso, o fato de estar geograficamente mais distante da capital torna a eletricidade bastante cara. Logo, a maior parte das ilhas operam à base de gerador, que são ligados entre duas e três vezes por dia. Isso significava nada de ventilador à noite (os quartos não tinham ar-condicionado).

A comida também deixou de ser farta. Você tem que comer o que te servem, porque não existe loja de conveniência na esquina. Apesar do baque inicial e do choro da Mônica no meio da primeira noite em Wayalailai (por não conseguir dormir sob 40 graus) tiramos de letra por estarmos no meio do oceano pacífico num dos locais mais belos que já visitamos.

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Foi nessa ilha também que tivemos duas experiências incríveis. A primeira foi mergulhar com tubarões em um recife no meio do mar, afastado cerca de 20 minutos da ilha, e a segunda, uma trilha ao topo da montanha, que nos tirou o fôlego tanto pelo visual quanto pelo ritmo imposto pelo guia. Mas comecemos pelo melhor. O mergulho com tubarões.

Destemido que sou, mal podia esperar pelo passeio que nos aguardava logo cedo pela manhã. Às 08 am já estávamos no bote. Munidos de máscaras de mergulho, pés de pato e GoPro. Nada mais. Sem gaiolas de proteção. Elas não são necessárias pois os tubarões de recife, como são conhecidos, são calmos (na maior parte das vezes). Ao chegarmos no ponto de mergulho o guia vira para nós e fala:

– É aqui. Podem saltar. Os tubarões estão ai embaixo.

Destemido que sou (2). Quase melei o short nessa hora. Olhei para Mônica e disse:

– Tá maluco que vou pular nessa água?!?

Ela concordou e disse que não ia entrar. Foi então que o guia tomou a vez e mergulhou no mar. Sendo logo acompanhado por alguns outros hóspedes do hotel. Criei coragem e pulei. A Mônica ficou. Disse que não ia. Passados alguns segundos avistei o primeiro tubarão galha branca. Estava vindo com alguns outros me bisbilhotar. Fiquei receoso, o resto do bando estava mais adiante. Encolhi os braços e nem consegui filmar. Fiquei branco. Eles, os tubarões, nadaram ao meu redor e saíram para checar os outros intrusos. O medo passou. Olho para trás para contar para a Mônica e me surpreendo com ela pulando na água. Daí para frente foram quase duas horas de mergulho com tubarões dos mais diversos tamanhos, alguns com até dois metros. Um passeio que ficará na memória e você não pode voltar de Fiji sem fazer.

Chegamos na ilha a tempo do almoço. Dois pedaços de pizza, uma bola de arroz e macarrão. Zero de proteína. Reclamamos entre nós, mas comemos, pois às 5pm tínhamos uma trilha até o topo da montanha mais alta da ilha. Um passeio desses de barriga vazia é inviável. Aliás, condicionamento físico minimamente razoável e calçados adequados também são fundamentais nessa trilha.  A caminhada é bastante puxada e na primeira metade o guia acelera bastante o ritmo, justamente na parte mais vertical. O ritmo foi tão forte que uma das meninas que nos acompanhava passou mal e tivemos que parar para ela se recuperar. Contudo, o passeio é incrível e lá do topo você consegue ver todas as ilhas ao redor de Wayalailai e uma beleza inacreditável.

À noite participamos de uma festinha no bar da vila com outros turistas. Diversão garantida. Fizemos os primeiros amigos que nos acompanharam no restante da viagem e nos aproximamos do casal de brasileiros, Diogo e Dayane, que havíamos conhecido em Bounty e que também iriam participar das nossas aventuras.

Nota – 8. Wayalailai tem como pontos positivos as belezas naturais e suas atividades. Peca pela fraquíssima comida, pelo fato de passarmos quase o dia todo sem energia e pelo calor nos quartos (mesmo sendo um dos quartos com a mais bela vista).

Yasawas x Mamanucas As ilhas de Fiji se dividem em duas. As Mamanucas, mais próximas à ilha principal (Nadi), e as Yasawas, mais afastadas e que carregam a justa reputação de serem as mais belas.

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Korovou – Nossa terceira ilha era a primeira sem nenhuma atividade inclusa. Isso me deixou bastante entediado. Mesmo estando numa ilha belíssima, não me restava muita coisa a fazer, a não ser entrar no mar para ver se os peixes e corais ali eram tão bonitos quanto nas primeiras paradas. Outros hóspedes optaram por fazer trilhas sozinhos na mata. Dois amigões alemães, Wilson e Frank, escalaram uma torre de telefonia com um nativo (“passeio” que fiquei com muita inveja de não ter feito). Mônica escolheu ficar na piscina curtindo o sol escaldante e bebendo água de coco, o que não é muito comum pelas ilhas.

Eu optei por nadar, sozinho, até uma pedra do lado oposto à praia onde estávamos. Nesse momento uma luz divina me lembrou uma velha dica dos mares, que aprendi com meu pai e minha mãe. Se você não conhece o mar e não tem ninguém nadando nele, cuidado redobrado. Eu era o único ali. A praia estava literalmente deserta. Optei por andar ate o final da areia e de lá nadar até a pedra (que ficava na entrada da ilha) bandeando a montanha. Assim, em caso de necessidade era só nadar até as rochas.

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Comecei a nadar e apesar das águas azuis faltavam peixes como nas outras ilhas. Além disso, a água estava meio turva o que dificultava visão superior a 10 metros de distância. Isso me deixou preocupado, mas segui adiante. A única coisa bacana naquela minha missão era chegar até a danada da pedra. Estava bem próximo já. Inclusive já dava pé, mas pela quantidade de pedras no fundo optei por nadar ao invés de andar. Notei que a água esquentou muito. Ao ponto de ficar desconfortável.

Nesse exato momento um tubarão de seus quase dois metros passa que nem uma bala na minha cara. Vindo do lado esquerdo para o direito. Mais um pouco e ele me acertava. Fiz que nem aquele calango que anda sobre as águas. Levantei (lembram-se que estava dando pé?) e corri, com o mar na altura do peito, até uma pedra que estava a alguns metros de mim. Escalei rapidamente. A perna tremia. Liguei a Gopro na mesma hora (estava desligada pelo excesso de monotonia no meu passeio). Olhei para os lados e vi outro três ou quatro tubarões. Começaram a nadar ao redor da rocha. Não estava acreditando. Podia ver as barbatanas. Meti  a mão na água para filmar. Estava receoso pois não sabia se podia chegar outro por trás. A Gopro 3 só tem como lente o tal “olho de peixe”, que é péssima para filmar a mais de um metro e meio de distância.

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Percebe-se que minha coragem a essa hora não era das maiores. Por isso apenas alguns segundos de imagens. Mesmo tendo mergulhado um dia antes com tubarões maiores no meio do oceano aquela situação era completamente diferente. Primeiramente não tratava-se de um mergulho com “guias”, e segundamente eu estava sozinho e ao contrário dos tubarões nos recifes aqueles ali estavam interessados na minha pessoa. Por isso ficavam nadando ao redor da pedra. A curiosidade durou cerca de 10 minutos e então os perdi de vista. Obviamente que nadar estava fora de cogitação, porém tinha que entrar na água novamente para chegar até a montanha que me levaria de volta à praia. Travessia que fiz em menos de 30 segundos.

Posteriormente fui pesquisar que espécie de tubarões eram aqueles. Tratavam-se dos galhas pretas. Da mesma família daquele que mergulhamos em Wayalailai. Porém estavam mais curiosos. Não costumam ser agressivos, existe poucos relatos de acidentes nas ilhas envolvendo esse tipo. Mas naquela hora não sabia de nada disso e mesmo se soubesse, não pagaria para ver. Inclusive, no penúltimo dia em Fiji tive outro contato similar. Dessa vez estava realmente procurando um tubarão. Há dias entrava no mar atrás de um. Porém a coragem durou pouco e assim que avistei o animal, a alguns metros de mim, resolvi recuar para terra firme. Bastava de tubarões.

De volta à ilha contei aos amigos o ocorrido. Jogamos vôlei com nativos e outras pessoas. Desisti depois de 40 minutos. Engraçado como os fijianos não são chegados numa competição. Sequer contam os pontos da partida. Por isso achei melhor tomar uma cerveja e observar. À noite, no jantar, tivemos até sobremesa. A mesa era longa, onde cabiam todos os hóspedes do hotel. Sentamos juntos, conversamos, bebemos, conhecemos novas pessoas e ao final assistimos uma apresentação pirotécnica.

No dia seguinte, com a notícia do do meu encontro com tubarões a maioria preferiu ficar na piscina até a hora do jantar. Fizemos um passeio para fazer snorkeling, mas foi um pouco frustrante, pois quase não vimos peixinhos. Pelo menos conhecemos uma pequena ilha onde conseguimos tirar umas fotos.

Nota – 7 A falta de atividades e a estrutura precária para atender os hóspedes tornam a ilha uma das menos interessantes. O hotel não fornece toalha nem produtos de higiene. Somado a isso ficamos um dia inteiro sem energia por um problema no gerador local.

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