Bounty (A ilha do Tsunami)

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Nossa primeira parada foi a belíssima ilha de Bounty. Apenas 30 minutos da capital, Nadi, o local possui águas cristalinas e apresenta um azul impressionante. O resort é um dos mais confortáveis da região e conta com eletricidade 24 horas (algo que você não encontra nas ilhas mais afastadas). A comida é farta nas três vezes em que é servida (café da manhã, almoço e jantar), revezando-se em buffet e algumas vezes A La carte. Além disso, foi o único hotel onde encontramos ar-condicionado (peça importante quando estamos falando de temperaturas superiores a 30 graus todos os dias). O bar possui três happy hours por dia, quando as bebidas são vendidas com até 50% de desconto. Jogos como ping-pong e “arremesso de corda ao alvo” ajudam a te entreter quando você estiver saturado da piscina ou de fazer snorkeling com peixes.

De tão pequena, basta 30 minutos andando ou 40 remando a bordo de um caiaque para dar a volta nela. Aliás, esse tamanho demasiadamente reduzido me chamou a atenção quando chegamos na ilha:

– Nossa, se rolar um tsunami aqui não sobra nada. Não temos para onde correr.

Disse enquanto admirava a ilhota ainda do barco que realiza o transporte dos passageiros até os hotéis.

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Tsunami – Hiperativo que sou, peguei meu snorkeling assim que desembarcamos e fui ver de perto o que tinha naquela água. Enquanto mergulhava ladeado por peixes de todas as cores a Mônica aproveitava a piscina. Estava tão animado que após 30 minutos sai do mar para contar minha experiência para ela. Estávamos no bar, a menos de 5 metros do oceano, quando resolvi abrir meu Whatsapp para mandar algumas fotos para minha família e amigos quando me deparei com uma notícia seguida da seguinte mensagem.

– Bom dia povo! Alguém tem conseguido falar com o Zeca? Acho que ele já deve estar sabendo dessa parada… – Perguntou um amigo num grupo que faço parte na Austrália.

– Dá um salve ai. Pediu outro.

Anexada às mensagem vinha uma notícia sobre um terremoto de 7.2 na escala Richter no meio do mar a míseros 300 kilômetros de onde estávamos. Minha espinha congelou na mesma hora. O abalo sísmico havia ocorrido há menos de 30 minutos. Um ano antes, quando fomos para Indonésia, me informei bastante sobre tsunamis pois o País foi um dos mais afetados pelas ondas gigantes que atingiram vários locais em 2004. Naquela ocasião, a Tailândia, por exemplo, estava a mais de mil quilômetros do epicentro do terremoto de 9.2 da escala Richter e foi completamente devastada.

Com essas informações eu tinha plena consciência que o alerta de tsunami emitido pelo Centro do Pacífico de controle a ondas gigantes era real. Real demais. Sabia que aquela ilhota não suportaria uma onda gigante que podia chegar a qualquer momento.  O ponto mais alto da ilha não era superior a 5 metros acima do nível do mar. Chamei um funcionário e perguntei se ele estava sabendo de algo. Mostrei a notícia. Ele já sabia e nada havia comunicado.

Passados alguns minutos os demais hóspedes da ilha foram informados e fomos encaminhados ao ponto mais “alto”. Uma casa de palafitas, construída com madeirites e alguma alvenaria. Nesse momento percebi o semblante sisudo e preocupado do restante dos moradores da ilha. O mar mudou completamente. De calmo e cristalino passou a turvo e agitado. O último alerta de tsunami havia sido em 2011, quando ondas gigantes varreram várias cidades japonesas. Enquanto esperávamos novas notícias escolhi uma árvore de tronco forte e de fácil escalada para correr com a Mônica se algo pior acontecesse. Depois de uma hora e trinta minutos de muita tensão naquele “abrigo”, enfim, recebemos a notícia que o risco já havia passado. Quem havia chorado de nervosismo enxugou as lágrimas e voltou para a piscina. Quem fez vídeo de despedida (vimos isso) ficou um uma cômica memória salva no celular.

Terminamos nosso primeiro dia de trip dançando com os Fijianos e bebendo. Mais tarde, já anestesiados pelo álcool, fizemos amizade com uma italiana que sobreviveu ao tsunami de 2004, quando ela teve de ser resgatada por um helicóptero do telhado de um hotel nas ilhas Maldivas. Voltamos para o quarto chocados com o pé frio da moça e torcendo para que ela não nos acompanhasse pelo restante da viagem. Para nossa sorte, ela não foi.

Náufrago – Quando fechamos nosso pacote optamos por pagar pagar AU$ 500 a mais cada um para termos acesso a atividades nas ilhas, o que incluía um passeio num veleiro no nosso segundo dia de viagem pelas ilhas. A rota, que oferecia bebida liberada e churrasco a bordo, tinha como destino a ilha onde foi filmado o famoso filme do Tom Hanks, O Náufrago, e uma outra ilha onde visitamos um vilarejo fijiano e pudemos comprar artesanatos dos locais. Um dos passeios mais divertidos e cansativos que fizemos sem sombra de dúvidas.

Voltamos para Bounty e dormimos como pedra, afinal, dia seguinte tinha nosso segundo destino: Wayalailai.

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Nota – 9,5. Bounty tem TUDO. Hotel justo, excelente quarto, ar-condicionado, comida farta, atividades para você não ficar parado, peixes, corais, enfim, tudo que você precisa numa viagem. Porém a proximidade da ilha principal, Nadi, a torna rota das famosas Day Trips (passeios de um dia que levam turistas para os arquipélagos mais próximos). Isso incomoda um pouco, pois tira um pouco da paz local. Mas nada que estrague a sua viagem, até mesmo porque esses visitantes costumam retornar antes das 16h.

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