Dica de Destino: Norte da Nova Zelândia

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Por Zeca Moreira

Quem nunca assistiu àquele filme no qual um grupo de amigos cruza o país dirigindo uma campervan e pensou: “Uau, um dia ainda farei isso”. Pois bem, se você nunca pensou, comece a pensar na ideia, porque eu e Mônica passamos quatro dias a bordo de uma super campervan na Nova Zelândia e podemos dizer que é uma experiência única. Foram mais de mil quilômetros de estrada na qual passamos por várias cidades e cenários paradisíacos.

Nossa jornada começou pela maior cidade neozelandesa, Auckland. Chegamos no final da tarde e por conta de um atraso pegamos estrada apenas ao cair da noite. Aqui vai nossa primeira dica: caso siga nossa sugestão de roteiro, evite dirigir a noite por lá. As pistas são bastante sinuosas e muitas vezes ladeadas por desfiladeiros. Além disso, você estará pilotando uma campervan de 3.5 toneladas e 2.5 metros de altura. Não vá achando que é a mesma coisa que dirigir um Fiat Palio ou mesmo um carro maior como uma Tucson. Logo, todo cuidado é pouco.

Pois bem, seguimos rumo à pequena (mesmo) cidade de Whitianga, a 165 km de distância do nosso ponto de partida. O trajeto levou cerca de 2,5 horas e nos chamou a atenção a “inexistência” de vida por onde passávamos. Todas as cidades que cruzamos estavam às moscas, sequer postos de gasolina funcionavam. Com apenas 4,4 milhões de habitantes, sendo que metade desses vivem nas quatro maiores cidades (Auckland, Christchurch, Wellington e Hamilton), o País é praticamente inabitado. Talvez por isso ainda preserve sua imensa beleza natural. Nossa primeira parada não foi diferente do que vimos durante nosso primeiro trajeto. Apenas um pub irlandês estava aberto. Foi nossa salvação, pois precisávamos urgentemente de uma tomada para carregar o computador. Enquanto a Mônica trabalhava eu tomava uma cerveja e planejava nosso segundo dia.

Encostamos o carro à beira-mar e quando nos preparávamos para dormir ao som das ondas batendo nas pedras (que lindo) percebemos uma placa a metros da gente com dizeres explícitos sobre a proibição de pernoitar por ali. Na verdade a cidade conta com três vagas para esse tipo de campervan, mas todas estavam ocupadas. Por mais que não tivéssemos avistado uma viatura ou delegacia que fosse, resolvemos estacionar na rua de trás (se fossemos mais duas ruas adiante a cidade acabava) para evitar uma multa.

DICA 2 – Mesmo que você ouça por aí que é permitido estacionar e pernoitar em qualquer lugar na Nova Zelândia, cruzamos com várias placas alertando sobre a ilegalidade do ato (passível de multa). Além disso, existe o fator segurança. Muitos mochileiros tem suas campervans assaltadas enquanto estão estacionadas em locais irregulares (os bandidos locais sabem que backpackers viajam com vários pertences e equipamentos eletrônicos). Por isso procure um camping para encostar sua caranga.

Acordamos às oito da manhã sentindo um pouco de calor dentro da van. Por mais que estivesse cerca de 20 graus, a falta de uma sombra pesou e antes das 09am estávamos dirigindo rumo a Hot Water Beach. A praia fica a cerca de 20 minutos da cidade que pernoitamos e sugerimos que você acampe por lá ao invés de Whitianga. Além de ter um camping adequado o local é muito mais bonito.

DICA 3 – Existe uma praia ou cidade, não sabemos ao certo, com o nome de Hot Water Beach próxima a Auckland. Toda vez que escrever esse nome no Google Maps ele te dará como referência esse local e não o que citamos aqui na matéria. Logo, cheque a imagem abaixo para ter certeza que está indo ao local correto.

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O nome da praia é referência à atividade vulcânica da região que faz com que a água que corre sob as areias fique quente a ponto de queimar os pés. Turistas chegam com pás e cavam buracos de onde brota água quase fervendo e que criam spas naturais. Hot Water Beach conta também com um charmoso café onde você pode almoçar ou simplesmente fazer um lanche rápido (ficamos com a segunda opção).

De lá seguimos viagem para Whakatane, cidade a cerca de três horas de carro, mas que fizemos em quase cinco por conta do nosso primeiro contato com as belas paisagens que te acompanham enquanto você viaja pela Nova Zelândia (como dirigimos à noite no primeiro dia não vimos nada).

Foi também nosso primeiro banho da viagem (mochileiros têm que aprender a lidar com a falta deles), pois enfim pudemos pernoitar em um camping (Whakatane Holiday Park) com tudo que tinha direito (inclusive energia elétrica para a campervan). Pagamos AU$ 20 por cabeça e pegamos dicas importantes com o dono do local, que nos sugeriu visitar a cidade de Roturua no dia seguinte.

– Não me importo muito com o dinheiro. Mas nossa cidade Whakatane não tem muita coisa para fazer. Se querem mais movimento vocês devem ir até Rotorua – disse ele sem se importar com a diária extra que iria perder.

Em tempo, Whakatane fica perto de um vulcão ativo na ilha White Island. Infelizmente cortamos o passeio da nossa lista ao sermos informados que o passeio custaria quase AU$ 200 cada.

No dia seguinte, tomamos nosso café da manha/almoço num restaurante/fazenda chamado Julians Berry Farm & Cafe à beira da estrada. A dica foi de uma amiga da Mônica, que descobriu que estávamos por lá por conta do Instagram (@monicaplaza). Comemos com ela e com um amigo dela, nativo da região. Pegamos novas dicas, comemos mais, colhemos morangos (isso mesmo, você paga entre AU$ 8 e AU$ 20 e colhe os próprios morangos, amoras e outras frutas da temporada) e seguimos para penúltima etapa da nossa viagem, a “movimentada”cidade de Rotorua.

Chegamos com o dia ainda claro. Nos “hospedamos” no estacionamento do hostel Base Backpackers. Como eles não possuíam área adequada para campervan foi cobrado apenas AU$ 10 por cabeça, que nos dava acesso ao banheiro e a um estacionamento seguro. Nada mais.

A cidade conta com diversas atividades como caminhada sobre as árvores, passeio em vulcões, mini-golfe e um grande parque com variadas atrações. Como era muita coisa para pouco tempo (e dinheiro) optamos por descer um morro dentro de uma bola cheia de água no chamado OGO, fazer uma caminhada por um parque (gratuito) com gêiseres e atividades geo-térmicas – Kuiarau Park – e ir ao Skyline, onde brincamos de carrinho de rolimã.

Começamos pela descida de morro dentro de uma bola cheia de água (melhor tradução que encontramos para atividade). Não foi barato (AU$ 50 cada) nem demorou uma hora. Na verdade a atividade em si durou uns dois minutos, mas valeu a pena. Eu e a Monica entramos em uma bolha plástica oca, com 140 litros de água dentro. Depois disso um funcionário do local abre a cancela e libera a bola morro abaixo em um circuito recheado de curvas. Fomos girando e batendo cabeça até a base da montanha. Depois relaxamos em um spa com um visual de cair o queixo. Se a descrição da atividade não foi tão interessante quanto realmente foi, dê uma olhada no vlog em nosso canal do YouTube.

Trocamos de roupa na Campervan, pois terminamos o passeio encharcados, e tomamos rumo ao parque público para ver os gêiseres e atividades geo-térmicas. Ali tivemos uma péssima experiência. Depois de quase três anos morando em Sydney, umas das cidades mais seguras do mundo, perdemos um pouco dos cuidados que devemos tomar quando visitamos qualquer lugar que não conhecemos.

Enquanto tirava umas fotos da Mônica nos descuidamos das nossas coisas. Deixamos um Iphone, um power bank e uma das lentes da câmera fotográfica a alguns metros da gente. Num piscar de olhos não estavam mais lá. Percebi de relance três Maoris (como são chamados os índios neozelandeses) saindo rapidamente por uma viela do parque. Sem pensar, institivamente, corri atrás deles e pedi nossas coisas de volta. Um deles veio para cima de mim dizendo que não era ladrão enquanto os outros dois saiam de fininho. Apesar de não ter sido o melhor aluno de matemática no segundo grau sempre soube que quando estamos em desvantagem numérica numa situação de risco como essa a melhor coisa a ser feita é recuar. Enquanto o maior deles nos ameaçava íamos recuando e questionando sobre nossas coisas. Os comparsas dele sumiram da nossa vista. Tudo foi rápido. Não mais que um minuto. Já dávamos nossas coisas como perdidas, quando um dos caras voltou, pediu desculpas e nos entregou tudo. O grandão que ainda nos ameaçava ficou surpreso com o ato do chefe da gangue. Confesso que também ficamos. Depois do ocorrido e com tudo de volta, ficamos sabendo que os Maoris são conhecidos por assaltar turistas em toda Nova Zelândia (principalmente arrombar campervans de turistas – por isso dissemos lá em cima para sempre procurar campings para pernoite).

No segundo dia em Rotorua fizemos um dos melhores passeios da viagem. Visitamos o Skyline Park. Com preços que variam AU$ 39 e AU$ 150 o parque conta com diversos tipos de pacotes e atrações. Optamos por fazer um dos mais famosos: A corrida de Luge. Na prática trata-se de um carrinho de rolimã estilizado, com manche para comando de direção e freio. Tão fácil de guiar que até crianças pequenas podem praticar. Nos sentimos dentro do Mario Kart. A única diferença é que não podíamos atirar os outros carrinhos para fora da pista. Você pode optar por descer com emoção (muito rápido) ou sem emoção (curtindo o visual). Obviamente eu fiquei com a primeira opção enquanto a Mônica optou pelo segunda. Ao chegar no pé do morro você tem que pegar um teleférico até o topo para começar tudo de novo. Durante a subida você aproveita para admirar o belíssimo cenário.

Nosso último destino foi Auckland, cidade de onde partimos. Separamos muito pouco tempo, ou quase nada, para conhecermos a maior cidade da Nova Zelândia. Decidimos assim porque antes de traçarmos a rota da viagem conversamos com várias pessoas, muitas delas oriundas de lá, e todas foram unânimes: Auckland é uma miniatura de Sydney sem nada para fazer. Chegamos no final da tarde e a cidade não nos atraiu em NADA. Vamos dar um desconto, pois era um domingo. Demos uma volta, comemos uma porcaria e já desistimos de fazer qualquer coisa que fosse. Começamos a procurar um local para dormir perto de onde deveríamos devolver o carro no dia seguinte. Optamos por um posto de gasolina bem próximo do ponto de entrega.

DICA 4 – Me chamou a atenção enquanto procurávamos lugar para pernoitar em postos de gasolina de Auckland como todos contavam com seguranças. Em Sydney isso não existe. Fiquei desconfiado e pedi autorização a um deles antes de encostar. Ele permitiu, mas pediu que saíssemos antes de amanhecer. Procure fazer o mesmo para evitar acordar no meio da noite com alguém batendo no seu vidro.

Sem sombra de dúvidas a viagem de Campervam por um País bonito como a Nova Zelândia foi uma ótima escolha. Pudemos desfrutar cenários paradisíacos, tirar fotos, conhecer novas pessoas, passar por diferentes experiências e ser donos do nosso tempo. Sem check-in ou check-out. Ficou a certeza que voltaremos em 2017, dessa vez para conhecer a famosa região de Queenstown (que por incrível que pareça dizem ser a mais bonita de todas). Faremos durante o inverno para ver como fica esse cenário coberto de neve. E obviamente, iremos escrever tudo aqui.

Aliás, já viu o vlog desta viagem no nosso canal do YouTube? No vídeo você pode ver todas as nossas aventuras por esses quatro dias. 

2 comentários em “Dica de Destino: Norte da Nova Zelândia

  1. *ZEZÉ, filho querido.* Como sempre, belíssimo & conciso texto … ótimas fotos. Saudades, beijos para você & Mônica. DEUS abençoe vocês. Amor, *PAPAI.*

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  2. ZEZÉ, filho querido.
    Como sempre, belíssimo & conciso texto … ótimas fotos.
    Saudades, beijos para você & Mônica.
    DEUS abençoe vocês.
    Amor,
    PAPAI.

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