Como foi a viagem ao Brasil? (Parte II)

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É muito estranho pensar que você está indo passar férias em seu próprio País. Depois de quase dois anos, a sensação de estar em casa é confortante. Até o corpo sentiu calma ao voltar a comer aquela comida que você comeu durante toda sua vida.

Só minha irmã mais nova sabia da minha chegada. Ela foi me buscar no aeroporto à meia-noite de uma sexta pra sábado. Chegamos em casa e ela acordou meus pais, minha outra irmã e disse a eles que tinha algo na sala pra mostrá-los. Minha mãe brigou com ela porque meu pai tava meio gripado, mas mesmo assim ela insistiu. E aí foi só aquela emoção toda. Ao mesmo tempo em que eu chorava por causa do momento, eu ria porque estava muito feliz. E como um clique, parecia que eu nunca tinha saído dali.

Me lembro até hoje que comecei a chorar, horas antes de vir pra Austrália, exatamente na hora que fechei a porta do meu quarto. E o reencontro com ele era muito esperado. Afinal, aquele era meu cantinho único há anos. Lá no meu quarto estava minha avó, que mesmo com Mal de Alzhmeir se lembrou de mim ao perguntar quantas horas de voo eu enfrentei e como é a comida da Austrália. Tudo bem que ela fez a mesma pergunta 10 vezes depois, mas ela lembrou de mim!!!! Não consegui dormir de tanta emoção e passei o sábado entre comer arroz com feijão, carne de sol e mandioca frita, lutar contra o sono e lavar a cabeleira com babosa (haha coisas que melhores amigas fazem por você).

Depois disso foi a vez de reencontrar a família toda e amigos. Aliás, a maioria das minhas amigas ou casou ou começou a morar sozinha nesse tempo. Então quase todas as noites eu tinha um lugar diferente pra conhecer e jantar. Tive até que fazer uma agenda pras datas não se chocarem (como eu estava importante…).

Comemorei meus 29 anos com muito amor envolvido e muita comida também. Foi bolo de chocolate com chocolate branco e morango, pastel de choclo, danoninho, farofa, frango assado, macarrão com açafrão (ops, era com mostarda, como mimha irmã lembrou no comentário abaixo… 😂😂😂😂), batata recheada, muuuiitaaa, mas muuiita comida. 😃

Fui a festas de Brasília que curto muito, fui à peça da Fernanda Souza, fui ao Show Nívea Especial Rock, fui à Igreja com meu pai, fui a aniversários de crianças, fui ao cinema com crianças, a rodízio de sushi, e aproveitei meus finais de semana o máximo que pude.

Também tive os dias burocráticos: dentista, exames de sangue, de mulher, renovação de carteira de motorista, reunião de trabalho, com gerente do banco, compras de produtos e remédios pra sobreviver na Austrália.

E como boa nova turista de Brasília, aproveitei pra tirar fotos em alguns pontos turísticos da capital pra guardar ainda mais essa cidade no coração. Chamei a fotógrafa brasiliense Kakau Lossio e amei o resultado:


Mas e aí? No final você já tava doida pra voltar pra Austrália, né?

Infelizmente, a situação econômica e política do Brasil não está das melhores. Mas voltar para lá com uma situação financeira um pouco melhor (não porque eu sou rica, mas pelo simples fato de converter dólar em real) é completamente diferente.  Como sempre disse aos meus amigos daqui de Sydney, Graças a Deus eu nunca tive uma vida ruim no Brasil (mesmo sendo de muito trabalho e esforço) e Brasília é uma cidade com boa qualidade de vida. Sem falar que é o lugar onde estão minha família e amigos.

E aí que esta viagem serviu pra eu colocar na balança todos meus objetivos de vida. Mais do que pensar num cenário macro, externo, político e de opiniões de todos os lados, era hora de interiorizar os meus sentimentos – a parte mais difícil pra mim aqui na Austrália (como relatei aqui). Passei um dia no meu quarto e resolvi mexer em agendas antigas, nos meus notebooks velhos, arrumei os livros e o guarda-roupa. Meu quarto me fez lembrar o porquê eu vim pra Austrália: eu vim, simplesmente, pra viver a história que sempre sonhei desde os meus 13 anos de idade – com um grande amor, falando outra língua (ou ao menos tentanto falar haha), em outro País e trabalhando na minha profissão em terras estrangeiras.

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Meu quarto. O reencontro não foi lá como eu esperava porque meus pais o fizeram de depósito de tralhas (kkkk), mas um dia eu cheguei lá e eles tinha arrumado como eu o deixei há quase dois anos. ❤️ (sim, aquela sou eu de princesa nos meus 15 anos)

Todo esse trabalho de memória e reconhecimento interno me deu força pra voltar a Sydney com conforto na alma sabendo que não, eu não estava doida pra voltar pra Austrália pra fugir do Brasil. Eu queria voltar pra casa porque agora eu sei que tenho duas casas. Apesar de todas as dificuldades da vida de estudante em terras do canguru, essa é minha casa hoje também. O mesmo bem-estar que senti ao chegar no Brasil, eu também senti ao chegar aqui. E posso afirmar que nosso lar é simplesmente onde nosso coração sente paz. 🇧🇷🇦🇺

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