Como “imigrar” para a Austrália?

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Inflação alta, desemprego, dólar nas alturas, recessão, redução salarial, zika vírus, unha encravada, vontade de viajar e largar tudo para trás, enfim, não importa o motivo. Mais e mais pessoas vem enchendo nossas caixas pessoais perguntando como é o processo para “imigrar para Austrália”. Pensando em ajudar de uma maneira geral a todos que nos procuram, eu e Mônica vamos explicar como funciona de maneira abrangente (pois cada caso tem suas peculiaridades) esse processo.

Então vamos por partes. A primeira coisa que você precisa saber é:

Como faço para imigrar para Austrália?

Podemos dizer que o termo IMIGRAR não é o mais correto por carregar todo um histórico relacionado a pessoas refugiadas, a estrangeiros que fogem de seus países e entram em outros de forma ilegal. Muitas pessoas ainda têm na cabeça que morar em outro país e virar cidadão desse país é fácil, ou que morar clandestinamente até conseguir alcançar um número de anos de moradia para ter cidadania é o caminho mais simples. Mas a realidade está muito longe disso.

A maior parte das pessoas vem para Austrália estudar inglês e com o passar do tempo decidem por ficar mais, mudam os planos e, consequentemente, mudam os tipos de visto e somente depois disso começam a correr atrás do visto necessário para ficar PERMANENTEMENTE por aqui.

É difícil se mudar para Austrália?

Essa pergunta me lembra uma frase que escutei ainda no cursinho pré-vestibular: “Entrar na universidade é fácil. O difícil mesmo é sair”. Com a Austrália é a mesma coisa, só que o INVERSO. Eu explico. A maior parte dos brasileiros (não existe estatística oficial, mas com base no que vemos aqui em Sydney), uns 95% dos brasileiros devem vir para a terra dos cangurus com o visto de estudante. Se você tem grana não será muito difícil.

Contudo, com o passar do tempo aqui, o governo começa a cobrar uma evolução sua a cada novo visto. Por isso um planejamento prévio antes de vir (se sua intenção for se mudar em definitivo) é fundamental. Como funciona isso? Você chega como estudante de inglês, depois de alguns meses (depende do tempo de curso que você fechou pra vir) renova para um curso técnico em marketing, bussiness – ou qualquer outro à sua escolha. Esses cursos técnicos são divididos em categorias, como certificado, diploma e advanced diploma. Sendo certificado o mais básico e o advanced o último nível deles. Digamos que ao acabar seu cursinho de inglês você tenha se matriculado para fazer um certificado, depois um diploma e por fim um advanced diploma. Isso te dará cerca de 2,8 anos de visto (sendo que 2,6 para estudar e dois meses de férias). Aqui está o pulo do gato.

Muitos estudantes usam esse período para correr atrás de uma empresa que os patrocine aqui. O cobiçado sponsor. Aqueles que obtem êxito conseguem um visto de trabalho por dois anos na empresa que está bancando o processo. Apenas após esse período eles podem pleitear, desde que atendam as exigências do governo, que costumam variar, o tão sonhado Permanent Resident Visa (visto que finalmente te permite ficar na Austrália por tempo indeterminado).

Contudo, o sponsor e o Permanent Resident Visa não são tão simples de se conseguir, e ao final do curso técnico (aquele de marketing, bussiness e etc) boa parte dos estudantes encontram-se numa sinuca de bico. Isso porque, caso queiram renovar mais uma vez o visto, é BEM provável que tenham que “evoluir” para conseguirem uma nova autorização de estudos. Essa evolução se chama mestrado ou fazer uma universidade. Aí que está o problema. Enquanto um curso técnico custa AU$ 6 mil por ano, um mestrado vai te custar cerca de AU$ 20 mil numa faculdade mediana e AU$ 30 mil numa excelente. O bacharel pode custar um pouco menos a cada 12 meses, mas tem três anos de duração. Convenhamos que é grana….muita grana, e mesmo que você trabalhe aqui e ganhe em dólar, juntar essa grana para os estudos será uma batalha diária de pelo menos dois anos (e você ainda tem que conciliar o trabalho com MUITO estudo).

Por conta disso alguns alunos arriscam se matricular mais uma vez nos cursos técnicos, mas a taxa de recusa num segundo curso técnico chega a 40%, segundo alguns agentes educacionais. E caso você tenha esse visto negado, a grana das taxas pagas ao governo NÃO SÃO REEMBOLSAVEIS e você jogará uma nota pelo ralo.

Ok, mas e essa galera que eu conheço que mora aí há anos e hoje trabalha na área? Como eles conseguiram?

Como dissemos anteriormente, o governo muda as regras constantemente de acordo com a necessidade deles e atento às adversidades mundiais. Hoje, por exemplo, muitos estudantes estão saindo do Brasil com restrições para renovar o visto, pois o governo não nasceu ontem e sabe os problemas que estamos enfrentando.

Cada caso é diferente. A questão é: com visto de estudante, seja de curso de inglês ou técnico, os estrangeiros só podem trabalhar meio período e, por mais que você tenha inglês e todos os requisitos para a vaga da sua área, as empresas não contratam por conta dessa restrição do visto.

Temos amigos que trabalham na área porque conseguiram um visto de permanente temporário, que não existe mais, mas isso deu oportunidade para que ele ingressasse no mercado de trabalho na área dele. Temos outro amigo que conseguiu porque a empresa realmente precisava da experiência dele e resolveu sponsorá-lo. E uma amiga enfermeira que veio por conta da lista de empregos que o governo australiano disponibiliza, mas que teve que estudar e trabalhar voluntariamente aqui por um período longo para cumprir todas as exigências. Então, repetimos: cada caso é único. Mas, com certeza, a maioria também passou pelos cursos de inglês e técnicos.

Untitled design (41)Minha tia tem uma amiga que casou com o primo do meu cunhado e se mudou faz dois anos para Austrália como fisioterapeuta. Tudo isso que você está dizendo aí é balela….

– Pode até ser, mas INFELIZMENTE, essa é uma minoria. Todos os anos o governo solta uma lista (que varia de estado para estado) com as profissões que estão em falta por aqui. Mas não são todos os ofícios que constam lá. Ao contrário. Normalmente você vai achar lá carreiras ligadas à área de saúde, construção civil, e áreas técnicas, como chef de cozinha, chaveiro, amolador de alicate de cutícula e etc.

E mesmo assim NÃO é fácil aplicar para essas vagas estando no Brasil. O governo costuma dar prioridade para aqueles que já moram aqui (como aqueles estudantes que citei no tópico do curso técnico) e faz uma série de exigências, principalmente no que se refere à proficiência em inglês (mais uma vez o cara que mora aqui há mais tempo tem mais vantagem por provavelmente ter mais conhecimento do idioma).

Também há outros casos, nos quais brasileiros conseguem passaporte de cidadanias de outros países, por conta da família, e tiram o Working Holiday Visa, que permite a quem tenha passaporte europeu ou chileno, por exemplo, a trabalhar na área em tempo integral por um ou dois anos. Mas esse visto também tem as suas exigências. Quem tem passaporte italiano, por exemplo, e pretende trabalhar por 2 anos, precisa cumprir um período de trabalho em alguma fazenda na Austrália para, vamos dizer, devolver à Austrália o favor de terem deixado eles trabalharem na carreria dele aqui. Sem falar que, a cada seis meses, eles precisam mudar de empresa.

Nossa, realmente não é tão simples ir pra a Austrália. Mas estou disposto a começar o processo gradativamente. Quanto me custa?

Realmente, custa caro vir para cá. Um curso de inglês numa escola mediana está saindo AU$200 a semana (isso por baixo, bemmmm por baixo). Digamos que você venha estudar 24 semanas (seis meses). Isso vai te custar só de escola AU$ 4,8 mil. Fora isso você terá que pagar as taxas consulares e o plano de saúde o que dará cerca de AU$ 1 mil. Total – AU$ 5,8 mil (ou cerca de R$ 17,5 mil, fora sua passagem aérea).

Mas tudo bem, você ralou muito e mesmo num cenário de 10% de inflação por ano você juntou essa grana. FIQUE ATENTO A ESSE PONTO AGORA: Muitos agentes escolares omitem num primeiro momento que o estudante precisa comprovar AU$ 1,5 mil aplicado numa poupança ou qualquer investimento de fácil resgate para cada MÊS de visto aqui. O que significa que num curso de inglês de seis meses você precisará de AU$ 10,5 mil (pois o visto tem ao todo sete meses). Para complicar mais, esse dinheiro precisa estar na conta há mais de três meses antes de dar entrada na papelada do visto. A grana pode estar no seu nome, de um parente ou de um amigo próximo. Infelizmente, muitos estudantes têm seu sonho de morar fora interrompido aqui. Por isso é preciso muita atenção nesse quesito. E ah… os valores aqui estão descritos em dólares australianos, mas geralmente o pagamento feito pelo Brasil precisa ser feito em dólar americano. Fique atento a isso também.

Ok, então o sonho é impossível?

Não, calma. Escrevemos isso mostrando todas as dificuldades, pois não temos parceria com nenhuma escola ou agente escolar. Não estamos aqui para vender sonhos que não existem. Queremos alertá-los sobre os principais processos para se mudar para a Austrália e as reais dificuldades que vão enfrentar. Isso porque percebemos que a maioria das pessoas que nos procuram têm conhecimentos baseados em links exaustivamente compartilhados nas redes sociais e acreditam que o processo é mais fácil do que parece.

O que queremos é te ajudar a traçar um planejamento. Por mais que seja difícil, enquanto você tiver um plano, tenha certeza que sua vida aqui será possível.

Vamos ainda retomar esse assunto em posts futuros pra tentar ajudá-los a decidir qual melhor opção de curso, como comprar passagem, como se preparar para os trabalhos daqui. Mas para isso, também queremos saber: qual sua principal dúvida sobre os primeiros passos para vir morar na Austrália?

8 comentários em “Como “imigrar” para a Austrália?

  1. Bom, tenho incansavelmente lido sobre maneiras de como ir para Austrália e como funciona esse processo e sem dúvidas o conteúdo desse post foi o melhor, parabéns!!!

    Tenho bilhões de dúvidas e incertezas, mas começarei pelo começo. Se entendi bem o que você diz é, ir para a Austrália para um curso de inglês, creio que quando estiver perto de concluir seja necessário pedir o aumento do tempo de visto para então poder fazer o técnico, e depois repetir o procedimento para tentar partir para um ensino superior. É essa a ideia geral?

    Para dar início ao processo, a melhor maneira é contratar o curso de inglês por alguma agência aqui no Brasil? E por exemplo, se eu não tiver a grana para 6 meses de curso e quiser fazer apenas 1, e no outro ano voltar a nova Zelândia direto para o técnico teria as mesmas chances?

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    1. Olá, Wuerike! O tempo mínimo para visto de estudante são 3 meses de curso. Contudo, o governo não está vendo com bons olhos as pessoas que vêm estudar apenas por um trimestre e tem recusado vistos nessas condições. Além disso, pessoas que vêm para a Austrália, estudam, voltam para o Brasil (não me refiro a férias, digo em definitivo), têm mais dificuldade em obter um segundo visto caso resolvam voltar a estudar para terras australianas após uns meses ou anos. O motivo, segundo o governo daqui, serial “por que estudante estaria voltando”? Por que não terminou tudo quando teve a oportunidade? Sendo assim, caso pense em ficar mais tempo a MELHOR maneira é renovar o visto daqui de dentro assim quando terminar seu primeiro visto.

      Com relação à contratação de curso existem dezenas de empresas que os vendem. Dê uma pesquisada e veja qual oferece o melhor suporte quando você chegar à Austrália. Digo isso porque o preço entre elas é praticamente igual. Então o melhor seria uma agência que tenha escritório aqui também. Continuamos à disposição. 🙂

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  2. FALA ZEZÉ!!!!!!!!!!
    Belo e esclarecedor texto. A foto está ótima, reflete o “espírito” da matéria.
    Muito bom!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Que Deus proteja você & a Mônica.
    Beijos, Saudades,
    PAPI.

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  3. Pessoal, primeiramente parabéns pela iniciativa de ajudar os brasileiros a “imigrarem” para a Austrália. Gostaria de entender melhor, o quanto de fato inicialmente eu teria que ter para estudar 7 meses na Austrália, entre moradia, curso e taxas e se realmente o que eu ouvi é verdade, é realmente permitido estudante já quando chega trabalhar legalmente aí? O salário que é pago, é possível se manter e pagar as despesas? Seria inicialmente a minha idéia, ainda é um sonho um pouco distante, mas preciso começar a me preparar a partir de agora. Muuuito obrigado seus lindos. Hahaha

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    1. Oi, Vinicius, tudo bem? Agradecemos o contato. 🙂 Então, com relação aos gastos é muito relativo porque depende da escola que irá escolher, o tipo de moradia, seus objetivos etc. Nossa sugestão é que você já comece a procurar alguma agência de intercâmbio para montar orçamentos.

      Sobre trabalho: sim, com o visto de estudante você pode trabalhar 20/horas semanais. 🙂

      Qualquer dúvida a mais, estamos à disposição.

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  4. Olá! Tenho pesquisado muito sobre processo de mudança para a Austrália e esse foi, sem dúvida, o melhor conteúdo que li até agora, e olha que li bastante coisa. Parabéns!

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