Reeducação Alimentar na Austrália

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Mônica Plaza

Até então, estava até engraçadinho. Fazia piada com o assunto. Mas, dois meses depois, 3kg a mais apareceram na balança. Ou seja, 10kg em nove meses de Austrália! Quase 1kg a mais por mês. :O

Pois bem, não preciso nem dizer o quão desesperada fiquei depois de fazer essa “simples” conta, né? Viver em outro país, começar uma vida completamente diferente não é fácil. E cada um reage de uma maneira. Alguns emagrecem, outros engordam. Depende do organismo e da forma como você lida com isso. Eu descontei todas minhas crises de ansiedade na comida. E, pior, na comida errada. Cheguei sem saber cozinhar nem macarrão. Não sabia nem quais ingredientes comprar e onde comprar. Saí totalmente da zona de conforto.

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Ainda tem aquilo de vida nova de casados...Estrogonofe, Café-da-Manhã com Bacon, Bolo de Cenoura de presente de aniversário... Coxinha numa sexta à noite.


Ainda tinha aquilo de vida nova de casados…Café-da-Manhã com Bacon, Estrogonofe no almoço, Bolo de Cenoura de presente de aniversário… Coxinha numa sexta à noite pra assistir American Idol…

Quem me conhece sabe que no Brasil eu não me alimentava mal. Fazia as batatas doce antes da academia, levava minhas marmitas pro trabalho e tomava suco verde todo dia de manhã (Não pela moda. Sempre amei suco natural, meu pai sempre nos alimentou com supervitaminas – conhecidas atualmente como smoothies – e não tomava refri há oito anos). Pois é, não tomava. Porque até refri eu tomei na minha fase de revoltada aqui.

Saudade, Estação do Guaraná

Saudade, Estação do Guaraná

Se sentir mal e ficar reclamando não ia adiantar em nada, mas eu estava desestimulada a mudar sem antes ter uma rotina. Eu preciso de rotina. Até que consegui um emprego e minha renda também ficou um pouquinho melhor. Foi então que vi os 74kg e depois da fase de “essa balança está quebrada”, resolvi encarar a realidade e correr atrás do prejuízo.

Três meses de teste

Nunca fui a uma nutricionista na vida. Mas aqui eu precisava de uma. Sério, eu não sabia mesmo o que comer de forma saudável. Eu precisava de ajuda urgente. Até que fui procurar indicações em grupos do Facebook de brasileiros em Sydney. Não queria, a princípio, um profissional australiano. Queria alguém que entendesse a minha realidade. E um nome em comum surgia na maioria dos posts: Luana Marchi.

“Stalkeei” os perfis das redes sociais dela e percebi que ela levava uma vida saudável mesmo. Condizia com o que ela vendia. Gostei do perfil dela no Instagram: receitinhas fitness, qualidade de vida e frases de motivação. Além disso, ela ia realizar um brunch funcional. Ótima oportunidade para conhecê-la e comer comidinhas saudáveis. Pronto. Foi amor à primeira vista. Principalmente pelo pão de queijo de batata doce mais maravilhoso que já comi na vida (nunca tinha comido um, mas…)

pao de queijo

Não tinha mais desculpa para não me alimentar bem. Após uma conversa com a Luana, tive certeza que era ela a escolhida e resolvi contratar os serviços de consultoria nutricional por três meses pra ver o que eu conseguiria. Primeiro dever de casa: escrever um diário por uma semana de tudo o que comi. Passei vergonha, claro! Até que as comidas não eram tão ruins. Como trabalho na casa de uma família totalmente healthystyle, comecei a aprender com eles onde comprar alimentos melhores. Mas eu não sabia combinar os alimentos, os horários eram todos errados, sem falar que foi no fim de semana que viajei a Blue Mountains.

A Luana me passou uma sugestão de cardápio, mas só pra começar a guiar, porque o objetivo dela é fazer com que aprendamos com nossas próprias pernas. Então, o diário precisa ser semanal. E, querendo ou não, isso faz com que você se policie, pois não quer passar vergonha.

Comer de três em três horas, incluir limão com água morna pela manhã, chás, chás e mais chás. Conheci o tal do probiótico, aprendi a importância de manter nosso intestino saudável e, o mais importante, aprendi a cozinhar de verdade e a conhecer o meu organismo. Parece blá blá blá, mas depois de três meses, eu já consigo identificar o que pode ter me feito ficar mais inchada ou com mais fome que o normal.

Antes X Depois 

Imagina uma foto de uma costas com duas dobrinhas. Dois meses depois, essas costas estão sem as dobrinhas. Pronto. Esse é o máximo que posso publicar sobre minhas fotos de Antes X Depois. A vergonha é grande. Mas é só ir atrás das minhas fotos e perceber uma pequena diferença nas minhas bochechas.

Mas posso dizer que antes eu ia trabalhar já cansada. Depois, acordo todos os dias com energia pra ir à academia (Sim, claro. Academia. Exercício físico é fundamental). Antes, eu pesava 74kg. Agora, três meses depois, estou com 68kg. SEIS quilos já foram!! \o/ Antes minhas celulites estavam tomando conta. Agora, já deu uma bela disfarçada.

Antes eu estava com 96,5 cm de cintura. Depois, 84cm!!!!

E sabe o que é melhor? Sem sofrimento nenhum. Como muito bem e como até carboidrato à noite (com moderação, é claro). Ainda tenho muito trabalho pela frente. Perder 4kg agora é mais complicado. Mas eu sei que conseguirei.

Parceria

Como mencionei no post sobre meu um ano aqui na Austrália, Nutrição é a minha nova paixãozinha. Planos futuros de estudar a área. E a Luana, além de ter me ajudado a ter uma nova vida, tornou-se minha amiga. E foi além disso. Gostei tanto do trabalho dela, que uma parceria super saudável nasceu. Conversa vai, conversa vem, por que não juntar nossas paixões? A minha pelas redes sociais e a dela pela Nutrição.

Daí nasceu a página oficial dela no Facebook e o Ebook “Em um Relacionamento Sério com a Alimentação”. Com textos delas, edição e produção minha, o nosso objetivo é fazer com que as pessoas tenham acesso a dicas de como começar a ter uma vida mais saudável e, claro, receitinhas funcionais pra ajudar nessa jornada.

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O Ebook está disponível na Amazon (só clicar na imagem pra quem for do Brasil e aqui pra quem for da Austrália) e ficaríamos bem contentes de receber o feedback de quem comprar (Amiguinhos, comprem, por favor). Fiquei muito feliz mesmo com o resultado. E agora eu já tenho um segundo livro publicado. (Jabá: O primeiro é o livro “Aids na Cibercultura“, resultado da minha dissertação de Mestrado).

Diário

Tá, mas o que você come, Mônica? Sempre ouço essa pergunta quando digo que emagreci cinco, seis quilos em três meses. Por isso, vou compartilhar o meu diário de hoje, já que hoje eu completei três meses de reeducação alimentar. Lembrando que isso é só o exemplo de um dia. Cada dia é diferente e todo mundo precisa de ajuda profissional pra saber o que é melhor pra cada um, ok?

09h – Desjejum de 1/2 limão com água morna.
Café-da-manhã: Omelete com queijo de cabra, tomate cereja e espinafre. Sal do Himalaya e Pimenta do Reino.

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11h30 – Lanche da Manhã (Meu pós-treino)
Smoothie de 1/2 mamão papaya, 1 rodela de abacaxi, Leite de Amêndoa, 1 cs de Choco Whey Protein, 1 cs de óleo de coco e 1 cs de linhaça dourada.

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13h30 – Almoço
Marmita de Salada de Espinafre com quinua, Frango com açafrão e feijão de soja.

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16h30 – Bolinho funcional da Luana
Receita no Insta dela (@luamarchi)

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19h – Iogurte com 6 amêndoas

21h30 – Janta
Salada verde, arroz integral com brócolis, peixe branco e grão de bico.

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Bom, como estou muito orgulhosa dos meus dotes culinários, finalizarei este post com mais fotos de comidinhas feitas por mim pra servir de inspiração:

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6 comentários em “Reeducação Alimentar na Austrália

  1. Olá, Olá, Olá…
    Olááááááááááááááááá… Mônica…
    Aqui é o pai do Zezé (que o “mundo inteiro” chama de “Zeca”).
    Para mim, não importa: meu querido filho sempre
    será o “Zezé”. O que não invalida, de forma alguma, que o “Zeca”
    também seja meu filho querido. Pois é… Pois ééééééééé…
    Pois éééééééééééééééééééééééééééééééééééé…
    Acabo de ler seu post sobre alimentação, coisas & tal…
    Muito bom. Gosto muito de seu texto e do texto do Zezé também.
    Sem bajulação: vocês dois escrevem muito bem.
    Há long… long… long time ago (bota “time ago” nisso) eu enveredei
    por um ensaio “natureba”. Era moda em Brasília. Virei (supunha), como
    todos meus amigos, amigas & até a mãe do Zezé, “macrobiótico”.
    É verdade que não era muito aplicado não. Mas comia pão integral, arroz integral,
    feijão azuki, seitan, tofu, tehine com mel, muitos sucos (até hoje)…
    Carne vermelha não…
    Mas, não dispensava um peixe, queijo, iogurte, etc…
    O restaurante “Coisas da Terra”, na 504 da W3Norte, era o ponto de encontro
    de toda uma geração que crescia em Brasília. O primeiro dono
    do “Coisas” foi o baiano Wanderley Lopes, jornalista, “agitador cultural”, etc…
    Grande figura. Depois, seu irmão “Údi” entrou para a sociedade.
    Infelizmente Wanderley morreu, ainda na década de 1980, senão me engano.
    “Údi” (como o chamamos) assumiu a empresa e levou o “Coisas da Terra”
    para o centro do Setor Comercial Sul, perto da agência do BrB.
    Hoje, o “Coisas” não é mais “natureba”… não é radical.
    “Liberou Geral”. No almoço serve feijoada, carne vermelha, bacon,
    lazanha de massa, frituras e todas as “coisas” que antigamente eram “proibidas”…
    Sinal dos tempos…
    Mas, lembro-lhe uma coisa que sua orientadora/mentora/guru nutricional
    – talvez – tenha esquecido de ensinar-lhe: um dos grandes segredos
    da boa alimentação é… é………………… é a mastigação!
    Mastigar bem faz toda a diferença. Torna o alimento mais saboroso
    e ajuda a aumentar a sensação de saciedade. É verdade!
    Mastigue bastante para sentir melhor o sabor dos alimentos.
    Você terá a sensação de estar mais alimentada – com porções menores.
    Mônica: mostre este texto para o Zezé.
    Que Deus abençoe vocês dois.
    Paz, saúde, alegria, amor & muita felicidade para vocês dois.
    Com Amor, Carinho & muitas Saudades…
    PAPAI.

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    1. Oi, Carlos, tudo bem? O Zezé tá aqui ao meu lado lendo o comentário comigo. 🙂 E ele sempre comenta mesmo sobre a forma como vocês os educaram com relação à alimentação. Sobre a mastigação, a Luana me fala sempre sobre isso, principalmente por conta das porções. Com a correria da rotina, acabamos não prestando atenção na mastigação e às vezes nem percebemos que a comida já acabou de tão rápido que foi. Estou me policiando muito com relação a isso, tentando largar o celular na hora da refeição, por exemplo. São muitos detalhes, né? Mas devagar chegamos ao nosso objetivo. Muito obrigada por compartilhar suas histórias e dicas. Um beijão!!

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  2. Ai sis, que orgulho de você… Mais uma vez, inspiração! Agora eu que preciso sair dos “70 e poucos”… Ando meio sem tempo para fazer todas essas comidas bacanas, mas quem sabe… 😦 O mais importante, pelo menos, é que você está feliz, melhor, estimulada! Isso me conforta, pois está longe…
    Amo muito você! Bjosss!

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  3. Muito show esse artigo. Eu moro em Perth, mas discretamente sigo o grupo Papo Calcinha de Sydney. Eu tenho passado pela mesma história, pisei na Aus na casa dos 60kg e em poucos meses já estava nos 70 e poucos. Tenho o mesmo problema de procrastinação pra começar a me mexer. São inúmeras desculpas e formas de evitar (outros) problemas, como custo de academia (vida de estudante, sabe como é…) e complicação de cancelamento, distância de casa, cansaço pós-trabalho…. Trabalho num centro de convenções com horários malucos, às vezes começando 6am, outras 4pm ou até 20pm, chegando a terminar 6-7am eventualmente! E lá, facilmente você passa 6-8h sem comer e sem chance de beliscar nada e/ou você come horrores no break, com direito a sobremesas. Sempre fui compulsiva por doces, troco qualquer refeição por sorvete ou chocolates, mas no Brasil sempre comi saudável e em horários corretos. Já na Aus, meu ritmo de doces continua o mesmo, mas minhas refeições estão uma bagunça! Quando consigo cozinhar, a comida vai fora, já que vários shifts são longos e acabo comendo (e muito!) no trabalho frequentemente. Isso tudo tem me desmotivado a mudar hábitos e só pesado na balança, além da tristeza em ver que nada que trouxe do Brasil serve mais…
    Esse artigo me motivou um pouquinho, mas sei que logo volto a relaxar e à rotina de procrastinar… Acho que falta alguém que puxe minha orelha também. rs
    Sucesso pra vocês! ❤

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