Backstreet Boys e Sydney: dois sonhos em um só

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“Quando íamos imaginar, lá quando você era uma pirralha e ficava dançando e ~boiotando~ as músicas deles, que um dia iria conhecê-los?” (MÃE, no Dia das Mães 2015)

É, quando eu iria imaginar, aos 13 anos, que de repente eles estariam ali, a poucos metros de distância sorrindo pra várias fotos, abraçando uns 200 fãs e tratando todo mundo super bem. Eu estava anestesiada, só sentia meu coração bater muito forte, respirava várias vezes profundamente pra não passar mal ou começar a chorar e correr o risco de sair na foto com a maquiagem toda borrada. Já bastava o cabelo estar lambido por conta do suor frio. Só queria ser a próxima da fila logo.

Eu era da área VIP Gold. Antes de mim estavam as pessoas do VIP Platinum (essas teriam o direito de subir ao palco em certo momento do show). Enquanto elas estavam lá dando abraços super sem graça e se apresentando a eles com dois beijos no rosto (Oi?!? Talvez sua única chance de tocar neles e você dá dois beijos no rosto?!? Ai, estrangeiras…), lembrei da garota que se apaixonou pelos meninos que cantaram “All I have to Give” em um show da Shania Twain, transmitido na TV Record em 1999, e começou a sonhar em conhecer Miami porque a luz do pôr-do-sol de lá parecia muito bonita pelas imagens do show.

Comecei a treinar mentalmente o que iria dizer. Digo que sou apaixonada e sou do Brasil? Digo que o Brian é meu preferido? Essa é a hora de você dizer, em inglês, que você gostava de ler as letras das músicas deles pra aprender inglês e que hoje está aqui em Sydney pra praticar o que começou tentando adivinhar o que significava “Quit playing games with my heart”?

Pego o celular pra registrar algumas fotos de longe e penso como era há 15 anos, quando eu tinha de esperar pela música “I want it that way” tocar na rádio ou torcer pro clipe de “I’ll never break your heart” passar na MTV pra ver a cena em que aparece a mulher do Brian, mesmo isso machucando meu coração. Lembrei do show que eles fizeram em Barcelona e gravei em VHS e assisti milhares de vezes na companhia da melhor amiga nas tardes livres depois da escola.

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Minha amiga brasileira que me acompanhava comentou em certo momento: “Esse é o dinheiro mais bem gasto aqui em Sydney”. Todo estudante estrangeiro daqui sabe como a vida aqui é cara, mas, ao mesmo tempo, aprendemos que a partir do momento que almejamos um objetivo financeiro, parece ser mais fácil conseguir alcançá-lo em pouco tempo se corrermos atrás do maior número de shifts (trabalhos casuais) possível. Só depende do nosso esforço. Pois é, assim que soube dessa oportunidade, trabalhei uma semana quase inteira como waitress em eventos (além dos freelas no Brasil) só com o objetivo de pagar a área VIP. A minha amiga limpou vários banheiros e cuidou de crianças. E conseguimos! Daí lembrei que gastava R$10 reais todos os meses (era o que eu ganhava de mesada) comprando revistas e pôsteres deles pra completar minha pasta e guardar de recordação.

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Pedi pra minha irmã enviar fotos da minha pasta

A área Platinum acabou e a fila só diminuía. Vejo uma menina chorar e recordo quando chorei muito, em 2001, porque minha mãe não quis me levar ao show deles em São Paulo. Lembrei também do primeiro show que fui, em 2011, em Brasília, e chorei compulsivamente quando começaram a cantar “As long as you love me” e minhas irmãs riram e riem da minha cara até hoje de tão patético. Então não julguei a fã chorosa.

Antes do show em 2011. No pôster, eles estavam em Sydney. :)
Antes do show em 2011. No pôster, eles estavam em Sydney. 🙂

Aquela jaqueta de couro

“Hey, how you doin’?”, perguntou o segurança quando chegou a minha vez. “I don’t know. I can’t breathe”. “Take it easy and go ahead. Enjoy”. Quando percebi o Howie D. já estava com os braços abertos. Só consegui seguir em frente, dar um abraço apertado e dizer “Hi!” com a voz trêmula. Virei pro lado e pra cima e lá estava o Kevin super alto, com um sorrisinho no canto da boca, com base no rosto e mascando chiclete. “Kevin”, disse eu com voz fofa, abraçando-o bem forte. Eu não conseguia dizer mais nada.

Hora da foto. Sinto o Nick e o Kevin pegando na minha cintura. Não dá tempo de arrumar o cabelo, só sorrir. E eu senti que meu sorriso era um dos maiores do mundo. Como eu estava feliz!!! Virei e o Nick super fofo e alto também perguntou: “how are you?” Respondi: “So good”. Abracei fortemente, do jeito que realmente tem de ser, daí ele segurou na minha mão e falou do jeito mais carinhoso do mundo: “enjoy your night, ok?”. Na sequencia, veio o Aj com aquele jeito único de ser e soltou: “I love your jacket, girl”. “Thank you” e mais um abraço. Por fim, chegou a tão aguardada hora. Era o Brian! Ali na minha frente.

Assim que virei, meus olhos viram imediatamente aqueles olhos super azuis. E eu só consegui dizer, com voz baixa e tentando ser fofa de novo “Brian, you’re here”. E ele: “ownn… Yes”. Esse foi o abraço mais apertado de todos e eu senti reciprocidade. Foi o abraço mais demorado e nunca esquecerei daqueles 3,4,5 segundos. Um abraço fraternal, sabe? De muito carinho entre uma super fã e seu ídolo. Soltei com muita dor no coração e ele de um um jeitinho desengonçado, parecendo menino, disse: “Your jacket rocks. Enjoy your night”. “Thank you so much”. (E pensar que zoam da minha jaqueta por parecer ser do Michael Jackson). E saí com um sorriso maior ainda. A adrenalina passou e finalmente voltei a sentir minhas mãos tremerem, voltei a enxergar, ouvir. Ou não. Não consegui escrever meu nome e o número do celular pra guardar meu certificado “autografado” de tão atordoada de felicidade.

Essa é a jaqueta
Essa é a jaqueta

Super Bônus

O show sucedeu o encontro. Sentei muito longe e não fiquei triste. Só lembrava do meu momento. Além disso, conseguia observar o estádio lotado. Mesmo com 22 anos de carreira, eles ainda conseguem extrair gritinhos histéricos de mais de 15 mil mulheres de uma vez só. Sim, eles merecem o título do Guiness Book de “a mais famosa boyband de todos os tempos”. Eles dançam, cantam, não fazem playback e tocam instrumentos.

Ainda tive um bônus. Sem o Brian, os outros quatro participaram de uma after party em um pub em Darling Harbour. Fiquei esperando grudada no palco. O Nick era o DJ e o Howie D. foi atender as fãs. E adivinhem qual o primeiro celular que ele pegou pra tirar uma selfie? Sim, o meu!! E todos foram à loucura. Inclusive eu, como podem perceber na foto abaixo. Sim, eu sou essa louca de boca aberta e braços pra cima.

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Começaram a empurrar demais, porque o Howie D. estava tirando foto com todo mundo. O Nick até tentou tirar selfie também, mas TODAS as meninas foram pro lado dele e aí lançaram um olhar pedindo pra que não fizesse pra evitar tumulto. Ele não pode tirar selfie com ninguém. Daí me estressei com o calor e vi o Kevin no camarote. Mais uma vez, ser alta teve sua vantagem. Botei meu braço em cima de uma outra fã e o Kevin pegou meu celular primeiro. Observem a menina embaixo de nós dois. Ele, super fofo, pediu pra eu me aproximar dele, afinal, a selfie era minha.

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Vi o Howie D. se aproximando e pensei: Saí baranga na outra foto, vou tentar tirar outra. E ele foi e pegou meu celular de novo.

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Ia tentar tirar uma selfie com o AJ, que estava lá na frente tirando foto com todo mundo, mas o show estava quase acabando e desisti. Depois de animarem a party, eles deram uma palhinha com playback mesmo só pra animar algumas fãs que não foram ao show. Good Bye, Sydney, eles disseram.

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Saí do pub e dei de cara com a linda Darling Harbour. Parei, respirei fundo. Peguei o celular e tinha mensagem do Zeca. Voltei, finalmente, a pensar racionalmente e me dei conta de que estava onde sempre quis estar: num país estrangeiro pra conhecer outros lindos pores-do-sol, pra praticar meu inglês (mesmo que dizendo só Hi e Thank You) e que me deu a oportunidade de ficar frente-a-frente com os caras que embalaram noites de dor de cotovelo e embalam, até hoje, algumas tardes engraçadas com meu boy favorito (Sim, o Zeca se amarra em Backstreet Boys e só não foi ao show por motivos de supermasculidade. Mas isso é assunto pra um outro post).

5 comentários em “Backstreet Boys e Sydney: dois sonhos em um só

  1. Mônica: prazer em conhecê-la. Parabéns pelo casamento.
    Sejam felizes. Bom texto. O texto do Zezé (o “Zeca”, como você o chama) também é ótimo.
    Quem escreve é o pai do Zezé (para mim, será sempre o Zezé). Aliás, acho que sou a única pessoa no mundo que o chama “Zezé”. Avise a ele que escrevi este comentário.
    Deus abençoe vocês dois. Você agora, saiba disso, é minha filha. Qualquer dia desses, quem sabe, poderemos estar juntos: eu, Zezé & você. Um beijo para você, outro para o Zezé.
    PAPAI.

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    1. Oi, Carlos. O prazer é todo meu. Muito obrigada pelas palavras de carinho. 🙂 Com certeza, logo, logo estaremos todos juntos. Quem sabe até voltarmos você consiga vir nos visitar, não é mesmo? Pois é, Zezé pra mim é novidade. Heheh E pode deixar que falarei sobre seu contato. Um beijo super carinhoso! Mônica

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